24 de março de 2010

Marcas da violência.

“O que pôs tudo a perder em minha vida foram aqueles cinco minutos...
...em que nada pude fazer para ajudar a pessoa que mais amava. Tudo aconteceu a poucos metros de mim e eu nada fiz além de me esconder embaixo daquela mesa e pressionar as mãos contra a boca para não cometer ali o erro que poderia acabar com a minha vida.

Eu era apenas uma criança segundo minha mãe, apesar de já ter meus quinze anos. Era uma garota muito meiga e querida por todos que me conheciam. Amava minha mãe mais que tudo, e ainda amo apesar do que me aconteceu nessa época. Sei que pode parecer pecado para os olhos de muitos, mas eu odiava meu pai por todos os atos que cometera.
Meu pai, ou melhor dizendo, aquele homem mal com o qual minha querida mãe foi obrigada a se casar; era um bêbado. Toda vez que bebia, as coisas em casa eram terríveis, muito mais para mim do que para minha mãe, pois além de não estar no lugar dela, era como se estivesse; eu não suportava ouvir os gritos dela e nada poder fazer, aquilo tudo parecia um pesadelo. Minha mãe sempre me dizia “o mais forte tem de defender o mais fraco, e os corajosos tem de agir. Mesmo que isso signifique outra surra” , é por esse motivo que tive de suportar todo aquele terror.
Em uma noite aparentemente calma, meu pai chegou em casa muito mais bêbado que todas as outras vezes. E nesta noite ao invés de fazer o que era de seu “costume”, ele veio atrás de mim, fiquei muito apavorada e com muito medo, corri pela escada procurando um lugar para me esconder, foi então que avistei a biblioteca e ligeiramente fui para debaixo da mesa que lá havia. Eu ouvia os passos do meu pai pela escada e a voz dele me chamando.
- Anie minha querida, venha para os braços do papai.
Minha mãe desesperada começava a gritar.
- Deixe-a em paz, ela é apenas uma criança.
Mas de nada adiantava, ele continuava a me chamar. Entrou então na biblioteca, e minha mãe logo atrás implorando para que não fizesse nada. Foi ai que ouvi mais um grito dela, parecia que estava a agredindo.
Ela gritava cada vez mais, então deitei-me no chão olhando por debaixo do vão da mesa. Ela estava caída no chão e meu pai estava em pé, com um cinto na mão. Ele a agredia cada vez mais e os gritos dela ecoava pela biblioteca. Eu não suportava mais ver aquela cena, mas tudo o que me fazia ficar ali calada e imóvel era pensar em tudo o que minha mãe costumava me dizer; eu não podia decepcioná-la, então tapei minha boca com as mãos para evitar que os gritos presos em minha garganta escapassem.
Foram os cinco piores minutos de toda a minha vida, eu acabava de ver minha mãe ser assassinada e nada fiz para tentar evitar isto. Assim que meu pai saiu da biblioteca, lúcido e arrependido profundamente de ter feito o que acabara de fazer; eu sai correndo para ver como minha mãe estava, mas ela já não respirava mais. Eu comecei a chorar desesperadamente, não podia acreditar que aquele cretino acabara de tirar a vida da pessoa que eu mais amava. Debruçada no corpo de minha mãe, eu prometi nunca me casar, e nunca ser submissa a qualquer homem."

5 comentários:

  1. como eu disse, queria ter trabalhos assim UAHSUAS. Ficou MUITO foda amiga, merece um 10, se o professor(a) não der, eu vou bater nele õ/

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  2. Caraca... Você realmente sabe criar um texto cativante. Vivi tudo o que você escreveu junto com o texto!

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  3. amiga, deixei um selinho pra você no meu blog, o link aqui: http://helcometowonderland.blogspot.com/2010/05/1-selinho.html
    poste no seu blog também (: bjs bjs

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  4. Hum... legal o seu blog! Muito bom! Se puder, acesse o meu: www.marcelovinicius.com

    Adorei os textos e estou seguindo!

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