9 de dezembro de 2010

Nightmare

A última coisa que me lembro é de ter fechado os olhos e sentir o chão sob meus pés desaparecer.
Caída ainda de olhos fechados, senti uma dor horrível na cabeça e passei a mão no local onde estava doendo, senti algo molhado e frio e na mesma hora pensei “é sangue,... eu devo estar morrendo”; e confesso que seria bom se estivesse mesmo.
Desesperada, reuni todas as forças que ainda restavam para poder abrir meus olhos e ver se estaria correndo perigo, agora me arrependo de um dia ter resolvido abrir meus olhos naquele maldito momento.
O princípio tudo parecia tranqüilo e até bonito; pássaros cantavam ao longe e um pouco à frente encontrava-se uma pequena casa branca e com aparência de casinha de bonecas, e ao seu redor havia uma grande floresta, que com o pôr-do-sol estava começando a ficar escura.
Não vi problema algum em sair de onde estava e descobrir o que teria naquela linda casinha. Fui caminhando a passos lentos, tentando evitar fazer qualquer barulho até que já estivesse lá. A cada passo, o som dos pássaros que até algum tempo atrás ecoava por trás das árvores, diminuiu ainda mais, como se algo assustador estivesse se aproximando.
Já havia chego à varanda e tocado a campanhia, e enquanto esperava que alguém me atendesse, olhei a toda minha volta à procura de algo suspeito, mas não tinha nada além de uma cadeira de balanço ao canto que, de certa forma, atraía minha atenção, fazendo-me querer estar nela e não sair jamais. Decidi que enquanto aquela porta não abrisse, iria ficar sentada ali, somente esperando, porém, no mesmo instante em que tomei esta decisão a porta se abriu, mas tinha um pequeno problema. Ninguém estava ali. Ela havia sido aberta pelo nada. Mas como, não sei explicar.
A curiosidade tomou conta de mim e fui então em direção a porta aberta e, mais uma vez, quando cheguei lá, não encontrei nada. Passo a passo, fui entrando, e no exato momento em que me vi inteiramente lá dentro a porta se fechou com um barulho atordoante. A casa era fria e escura, com uma única porta entreaberta no final do corredor.

Em toda aquela casa só consegui ver uma pequena faixa de luz que tentava desesperadamente sair pela fresta da porta. Senti-me na obrigação de liberá-la para que pudesse, quem sabe, iluminar todo o resto. Eu já não precisava ordenar que meus pés caminhassem, porque eles faziam isso por vontade própria, como se também quisessem libertar a luz.
Coloquei minha mão na maçaneta e empurrei-a, fazendo com que a luz saísse. No primeiro instante me senti cega, a luz era muito forte comparada com a escuridão em que me encontrava, mas logo meus olhos se acostumaram com a claridade e pude ver como quarto era magnífico.
A parede era de um tom rosa bebê, com prateleiras cobertas ursos de pelúcia e bonequinhas de pano, no chão tinha um grande tapete branco com desenho de uma princesinha, no lugar da cama havia um berço branco e rosa com um chocalho daqueles que faz barulhinho. Coloquei o brinquedo para tocar enquanto tentava descobrir de onde havia visto aquele quarto antes. Tudo me era tão familiar. Eu sei que conhecia tudo aquilo.
Num passe de mágica tudo à minha volta começou a rodar, e as imagens a desaparecer. Demorou alguns instantes, mas aquele quarto giratório parou, me fazendo recordar de onde o conhecia. Dentro do berço tinha um bebê de cabelos castanhos e com as pontas enroladinhas, olhos castanhos também, mas num tom mais claro, usava um vestidinho branco com babadinhos e era realmente muito fofo. Eu sabia onde estava. Aquele só podia ser meu quarto.
Saí correndo a procura de meus pais, quem sabe se eles não estariam por ali também?
Mas quando cheguei à parte de fora do quarto só encontrei a escuridão e pegadas pelo chão. Decidida a encontrar meus pais, segui o rastro. A cada passo tudo se tornava ainda mais escuro até que bem no finzinho vi mais uma faixa de luz.
Dessa vez não andei; corri o máximo que minhas pernas puderam, e finalmente cheguei. Abri a porta com muita força e comecei a gritar por minha mãe: “Mãe, onde você está? Eu estou com saudade. Por favor, não se esconda”. O pior foi que obtive resposta, só que não era ela. A coisa tinha uma voz grossa e rouca como aquelas que fazem você sentir arrepios. Ela disse bem assim: “Estou aqui minha querida, venha me buscar”. Ao ouvir isso meus instintos fizeram de tudo para tentar me proteger, eu só queria sair dali. Fui então outra vez em direção à porta para poder fugir de tudo aquilo, mas a porta já estava fechada.
A coisa se aproximava, eu podia sentir isso.
Passei a mão pelo chão à procura de algo para me proteger, e encontrei um caco de espelho. Não tinha mais tempo, não dava para procurar nada melhor. Tinha que fazer algo o mais rápido possível. Encostei-me na parede com a mão em que estava o caco nas costas. Foi ai que finalmente pude ver o que se aproximava.
Era um homem, ou pelo menos se podia dizer que um dia foi. Seu rosto era todo queimado, como se houvessem o queimado vivo, em suas mãos havia lâminas entre os dedos, usava um suéter vermelho todo queimado. Era a coisa mais horrível que jamais tinha visto.
Ele se aproximava cantando: “Um, dois, o Freddy vem te pegar. Três, quatro, é melhor trancar a porta”. Eu tremia muito, não sei como minhas pernas conseguiam continuar me sustentando. “Cinco, seis, agarre seu crucifixo. Sete, oito, é melhor ficar acordado até tarde”. Meu coração batia desesperadamente rápido, quase saltando de dentro. “Nove, dez, Freddy voltou”. Ele saltou em cima de mim, rasgando com suas garras minha blusa.
Socorro! – foi tudo o que consegui gritar.
E quando abri os olhos ainda estava em minha cama, completamente suada, e muito atordoada com tudo que havia acontecido. Mas logo depois veio o alívio, era só um sonho. Ou quem sabe, um pesadelo?

Um comentário:

  1. já disse que amei né amiga? tuuudo, muito foda, e assustador, ainda mais com essa foto, ui *-*

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