20 de dezembro de 2010

Wake me up when September ends.

Abri os olhos na esperança de que tudo aquilo tivesse sido um pesadelo... Mas não era. Olhei para os lados, estava tudo tão silencioso; avistei um calendário, dia 05/12, um sábado, antes meu dia preferido por dois motivos: primeiro, poderia planejar o que quisesse sem me preocupar com compromissos; e o segundo, e mais importante, era dia de ver Luke, o meu grande amor; porém, não era isso que acontecia nos últimos seis meses.
Durante a semana, ocupava minha mente com aulas extras, e nos fins de semana só tinha duas opções: ou ficava trancada em meu quarto lendo as cartas trocadas durante os dois últimos anos de meu namoro, ou então ia para o jardim, e sentava embaixo de uma árvore... “Nossa árvore”, como dizia Luke, e ao fim do dia acabava dormindo em meio às lágrimas.
Fui até a sala, sentei no sofá e liguei a TV passando os canais sem prestar atenção, olhei para a estante e vi sua foto ali, tão lindo com aquele sorriso no rosto, senti um aperto no peito, corri até lá e abracei o porta retrato, na esperança de poder senti-lo um pouco.
Voltei ao sofá, ainda abraçada com sua foto, e me lembrei do ultimo verão... Minha vida era perfeita até o dia em que Luke chegou e disse:
- Lorelai, meu amor, tenho algo para lhe contar... É muito... complicado – disse ele segurando minhas mãos.- Preciso que você me prometa que não irá fazer nada de ruim. Você promete?
- Você... Você quer terminar comigo, é isso? – perguntei, com lágrimas nos olhos.
- Não, Lorelai, nunca! – ele respondeu. – É algo mais sério. Mas você precisa me prometer que não fará nada.
- Eu prometo, confio em você. Agora diga! Não me assuste assim. – falei ao ver que ele olhava fixamente em meus olhos.
- Há algum tempo eu te contei sobre meu pai, lembra?- perguntou ele.
- Sim, eu lembro – respondi. – Ele foi morto... no exército, não é?
- É meu amor, é isso. – disse ele, segurando minhas mãos ainda mais firmes. – Então... eu nunca me conformei com sua morte e agora que tenho idade suficiente, acho que poderei fazer algo para honrar...

- Não! – gritei, compreendendo o significado daquelas palavras. – Não! Você não pode fazer isso!
- Será apenas por alguns meses, meu amor, estarei de volta no outono.
- E se acontecer o mesmo que aconteceu com seu... com seu pai?- eu disse, agora sem controlar as lágrimas que estavam presas. – Eu não vou conseguir viver sem você.
- Mas eu preciso fazer isso – insistiu ele, - é por meu pai... e por mim. Você sabe que eu te amo e nunca vou deixar de te amar – falou ele, me abraçando. – Mas eu TENHO que fazer isso, eu tenho!
- Não, você não tem que fazer isso. Pense em mim pelo menos uma vez. O que vai ser da minha vida sem você?
- Eu sempre penso em você Lorelai, pare com isso – pediu ele. – E de qualquer forma, só vim me despedir mesmo, não há mais nada que eu ou você possa fazer. Estou partindo agora.
Ele abriu seus braços e me envolveu num ultimo abraço apertado e disse em meu ouvido que não deixaria de pensar em mim um único segundo. Abracei-o ainda mais forte, afinal, eu não sabia se voltaria a vê-lo novamente. Eu sabia que iria sentir muito a falta dele, e nunca o perdoei por isso, por me abandonar sem ter data de volta. Ele me soltou e olhou em meus olhos.
- Amor promete que vai voltar? – falei chorando.
- Você sabe que vou fazer o possível para que isso aconteça. Eu te amo, nunca se esqueça disso. – ele falou, me abraçando novamente.
- Nunca vou esquecer, eu te amo também, mais que tudo – falei.
- Mais que todos – ele completou.

E agora? Como faço para viver de novo? Como faço para tirar essa dor e saudades do meu peito? Como faço para que esse buraco pare de doer? Eu sei, só preciso de uma coisa, meu Luke.
Acho que dormi novamente, pensando nele, lembrando da ultima vez que o vi, lembrando de como ele me abraçou apertado... Ainda estava no sofá, abraçada ao seu retrato, a única coisa que me fazia senti-lo perto, quando o carteiro chegou. Não liguei muito para ele, como sempre fazia, apenas chamei minha mãe, eu estava sem forças para sair daquele sofá.
Minha mãe atravessou a sala e foi à porta, buscar as cartas. Assim que as pegou, olhou para mim e disse: “Lorelai, filha, tem duas cartas aqui para você.” Olhei para ela, surpresa, desde a partida de Luke eu nunca mais recebi cartas, será que seria ele? Será que estaria voltando mais cedo?
Minhas forças voltaram do nada, levantei do sofá e corri para minha mãe, eu queria logo aquelas cartas. Puxei-as da mão de minha mãe e corri para meu quarto, queria estar sozinha quando as abrisse.
Peguei a primeira, dizia assim:
“Para minha Lorelai; de seu eterno Luke”.
A segunda era do mesmo endereço, porém, não era no nome do Luke, e sim do quartel onde servia. Não sei por qual motivo, mas resolvi abrir a segunda carta, a que não era no nome dele. Deitei em minha cama, abri o envelope a comecei a ler.
“Srta. Lorelai
Informamos que o Sr. Luke, que há pouco mais de seis meses passou a servir o quartel general, faleceu na ultima terça-feira, dia 05/06, em combate...”
Não podia ser, meu Luke morto? Não! Eles estão brincando comigo, isso não pode ter acontecido.
Terminei de ler a carta, onde dizia no final:
“... Entramos em contato com a Srta. pelo fato de termos encontrado juntos aos pertences do Sr. Luke uma carta com este remetente. Enviamo-la anexada a este informativo.”
Li-a mais três vezes até entender cada palavra contida ali. A carta em minhas mãos estava manchada, as lágrimas que agora rolavam sem parar caíam sobre ela, transformando as letras em borrões.
Sim, eu agora podia compreender que meu Luke havia sido morto, assim como seu pai, mas não podia imaginar como era isso, eu não podia encarar isso como realidade. Quanto mais lia a carta enviada pelo quartel, ficava com mais medo de ler a carta que Luke me deixará. Deixei-a em cima da cama, até ter coragem suficiente para lê-la.
Acabei indo dormir aquela noite sem ao menos pegar na carta. Quem sabe quando acordasse eu descobriria que tudo foi um sonho? Acordei cedo no dia seguinte e olhei para os lados, as cartas ainda estavam lá. Peguei a de Luke, e saí de casa em silêncio para não acordar minha mãe.
Fui para nossa árvore, para me sentir ainda mais perto dele, então sentei e coloquei ao meu lado sua carta. Ainda sem coragem, li e reli as palavras no envelope, admirando sua linda caligrafia.
Resolvi então, pegar a carta e lê-la logo.

“Oi amor, como você está? Eu estou bem, e sentindo muito sua falta.
Infelizmente, não tenho permissão de revelar onde estou. Mas posso dizer que estamos muito distantes um do outro. E que isso, é o pior de tudo.
Mas sabe, não é sempre que temos guerras para lutar. Para falar a verdade, na maior parte do tempo só treinamos. Já fiquei dias na mata, com meu pelotão, apenas testando nosso instinto de sobrevivência, vivendo apenas do que encontrávamos de alimento no solo, e, para matar a sede, bebíamos a água de rios. Antes que você me pergunte, o exército é sim cansativo, ás vezes parece que meus músculos vão se romper, e eu não desejo nada mais do que uma noite de sono ao seu lado, para aliviar a tensão. E isso, meu amor, é o que chamamos de folga. E agora você deve estar pensando “ eu sabia “ mas lhe asseguro que era o que eu realmente queria e precisava fazer: Honrar o meu pai. E honrando ele, estou também honrando meu país, e, principalmente, você, que é o que me mantém vivo em meio á todo esse caos. É em você que penso enquanto visto meu uniforme e marcho direto para uma guerra. É em você que penso, quando uma bomba explode diante de meus olhos e eu continuo de pé, mantendo minha promessa. E é em você que eu penso, quando rezo pela minha segurança, porque não quero te deixar sozinha, como meu pai me deixou.
Lorelai, apenas saiba que tudo, exatamente tudo aqui, me faz pensar em você e sentir sua falta. E quanto mais nos mudamos, mais eu desejo que o tempo passe rápido, e eu possa voltar para você. Inteiro, eu espero, mas vou voltar. Você sabe que eu não mentiria para você, não sabe? E quando o dia chegar, você vai se orgulhar de mim, saber que fiz o certo. Só falta mais um pouco. Espere por mim. Vou recompensar você.
Com amor,
Luke. “

Agora só me restava uma opção, viver, assim como meu Luke queria, mas com um porém, minha vida seria a dele para sempre, afinal, a vida dele foi a minha.

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Queria agradecer à Aline e à Jéssica F. por me ajudarem a terminar a estória, e como podem ver, foi baseada na música do Green Day "Wake Me Up When September Ends".

Um comentário:

  1. já disse que é lindo? acho que já né, pq é verdade *-* até chorei, perfeito mesmo :~ e hm, por nada amiga, se precisar sempre te ajudarei com qualquer coisa <3

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