10 de maio de 2011

Poliglotas

Capítulo Nove

Número 3 abriu a porta do quarto e esperou, dando passagem à Taylor. Seguiram em silêncio pelo corredor até a cozinha, que ficava a duas portas de distância do quarto onde Taylor se hospedara. Era um cômodo pequeno, com uma mesa e quatro cadeiras postadas ao centro, ocupando quase todo o espaço. As paredes eram revestidas por azulejos brancos com decorações em azul, e uma grande janela coberta por uma cortina nos mesmos tons de branco e azul das paredes.
Sobre a mesa havia uma cesta de palha com frutas, bolo de chocolate, pão fatiado, potes de geléia, uma jarra de suco e um bule com a palavra Tee escrita. Sem entender o significado, Taylor perguntou à Emilly, que ocupava uma das cadeiras à volta da mesa.
- É chá, só que em alemão – respondeu.
- Vocês de Marte falam alemão?
- Sim, por preferência. Mas também sabemos falar inglês, português, italiano, francês, espanhol, chinês e grego – respondeu.
- Oh! – exclamou Taylor, um pouco surpresa por saber que os alienígenas sabiam muito mais que o português e o inglês.
- Hey, esqueceu que posso ouvir o que está pensando? – perguntou Emilly, com um leve tom de irritação na voz.
- Desculpe-me – pediu Taylor.
- Tudo bem. Agora se sente e tome seu café.
Obedecendo à ordem oculta de Emilly, Taylou sentou-se de frente para Número 3, que já havia sentado, e começou a comer. Durante todo o café da manhã nem mesmo uma palavra fora dita, o que deixava no ar um clima estranho.
O silêncio atordoante foi quebrado por Número 3 vinte minutos depois:
- Qual é o próximo passo, Srta Emilly?
- Vamos ver... – começou, hesitando alguns segundos enquanto terminava seu suco. – Mostre a ela a vila.
- Sim, senhorita Emilly.

3 de maio de 2011

(i)mortalidade pt.2

pt. 1  -  pt. 2

Apanhei minha bolsa sobre a cama depois de passar os últimos vinte minutos me arrumando para meu admirável Gustavo. Saí pela porta da frente, dizendo um breve até logo à minha mãe, que se encontrava na cozinha preparando café da manhã. Peguei as chaves do meu Tesla Roadster prata que estava em minha bolsa e desativei o alarme, entrando logo em seguida no carro. Ao som de E.T – Katy Perry, fui para a faculdade.
“I'm a legend, I'm reverend, I be reverend”
Adorava essa frase da música, sentia que ela fora feita para mim, só que foi trocada apenas a espécie de ser na música. Não sou uma extraterrestre, sou apenas imortal, e bela.
Estacionei meu carro na mesma vaga de sempre, e caminhando como uma diva fui para a sala de aula. Sou uma das 22 garotas que freqüentam as aulas de moda. No total são 25 alunos, contando mais 3 garotos, que entre eles um é o Gustavo.
O Gustavo é o típico garoto que qualquer menina se apaixonaria. Alto, cabelos escuros, olhos azuis da cor do céu e um corpo cheio de músculos. A única coisa que não fazia sentido era o interesse por moda, que para muitos garotos como ele era coisa para gays. Mas para as garotas esse era o ponto fofo nele, pois poderiam conversar sobre moda sem se sentirem culpadas por chateá-lo.
Sou uma das garotas do fundo da sala e o Gustavo, junto com os outros garotos, senta no meio. Quando me sentei, percebi que havia um bilhete escrito com a mesma letra do anterior. Peguei-o entre os dedos e li:
“Estou aguardando sua resposta, minha doce May.”
Meu coração teria derretido caso eu tivesse um, mas mesmo não tendo senti certa atração por ele. Por um segundo até repensei a ideia de jantá-lo após o baile, mas então dispensei os novos pensamentos quando o professor entrou na sala, e caminhei até o lugar vazio ao lado do Gustavo.
- Olá Guto. Posso te chamar assim né?
- Claro May. Pode me chamar do jeito que você quiser.
Dei um beijo em seu rosto e me sentei. Percebi um leve tom vermelho tomar conta de suas bochechas. Awn, ele é tão fofo! Mas enfim, na mesma hora o professor começou a falar sobre o ultimo evento de moda que teve e destacando os certos e errados, enquanto eu, sentada ao lado do Guto, sentindo seu perfume sob a pele, e suas veias pulsando a cada batida do coração.

20 de abril de 2011

(i)mortalidade pt.1

Beleza era tudo o que eu pedia há algum tempo atrás, mas agora que a tenho, voltaria no tempo e mudaria isto se possível. Não é que eu ache problema em ser a garota mais linda do Great Lakes College de Toronto, mas às vezes ser uma morta-viva te traz mais problemas do que ser uma mera mortal.
Tenho dezenove anos há quase quinze meses, e continuo no mesmo curso de moda - bem que eu queria desistir dele, mas minha mãe disse que não é sempre que uma filha dela se forma. E por falar em formatura, a minha é em uma semana.
Há um ano e meio eu estaria correndo de um lado ao outro de Toronto numa missão em busca de acompanhante, mas de frente para o espelho, meus longos cachos loiros em contraste com minha pele branca me dizem que sou irresistível. Meus olhos cor de topázio estão em tom carmim há cerca de dois dias, o que indica que preciso comer – melhor dizendo, preciso beber.
Tenho me sentido mais fraca desde que comecei minha dieta de coelhos e guaxinins, mas enquanto eu não puder viajar para algum lugar distante, tenho que continuar tomando isso. Bem, na verdade não é somente isso, porque de vez em quando “pego emprestado” um pouco de alimento no banco de sangue do hospital, mas isso é só de vez em quando.
Arrumando-me para mais uma aula na faculdade, coloquei Tik Tok da Kesha para tocar na playlist do meu iPod. Dando uns toques finais em meus cabelos e dançando, percebi sobre minha penteadeira um pedaço de papel que saía de dentro da minha agenda. Curiosa, o peguei e li.
May, quer ir ao baile de formatura comigo?
P.S.: Gustavo.
E quase que totalmente espontâneo, um sorriso malicioso apareceu em meus lábios ao mesmo tempo em que pensava – Oba! Terei um lanchinho delicioso! Nada de coelho.



Projeto Créativité - 17ª Edição C&F
1º lugar - 9,9
continua...

14 de abril de 2011

Vestindo Lembranças

Capítulo Oito

Sentada na cama, abraçando as pernas com toda a força, Taylor repetia sem parar:
- É a invasão.
- É a invasão.
- É a invasão.
- Não é a invasão – a voz doce de Emilly espalhou-se pelo quarto, assustando, mas ao mesmo tempo tranqüilizando Taylor.
- Eles vão invadir Marte! – exclamou ainda assustada com o sonho.
- Não Taylor, foi apenas um sonho – e saindo do quarto disse: - Lave o rosto e desça para tomar café.
Assim que Emilly saiu, a porta fechou-se lentamente com ruídos irritantes. Levou um pouco mais de um minuto para que Taylor despertasse completamente. Olhando de um lado ao outro do quarto, observando cada pequeno detalhe, seu olhar se deteve numa prateleira de bonecas, na parede ao lado da porta.
Curiosa, Taylor levantou da cama e caminhou até a prateleira, retirando de lá uma pequena boneca de pano. Usava um vestido de renda vermelho e meias coloridas, e seus olhos azuis plastificados lembravam-na de sua infância. Quando pequena Taylor ganhara Alex de presente, uma bonequinha de pano tão linda quanto a que estava em sua mão.
Agora próxima dos dezoito anos, pensava Taylor, via o quanto era feliz quando suas responsabilidades eram apenas cuidar de suas bonecas e não perder o horário do seu desenho favorito, Três Espiãs Demais. Hoje, com toda a responsabilidade pesando sobre suas costas, percebia o quanto sentia falta da infância.
- Se essa boneca lhe deixa mais feliz, ela é toda sua – Número 3 estava parado ao lado da porta, olhando Taylor como se esta fosse uma pequena criança.
- Ãhn, obrigada – agradeceu um pouco desconcertada
- Olhar você assim, lembra-me muito minha filha – seu olhar de repente ficou triste e um pouco nostálgico.
- Onde ela está? – perguntou Taylor, tentando não parecer muito curiosa.
- Ela se foi – disse, encarando a boneca que ainda estava nas mãos de Taylor, e ainda mergulhado no passado, falou: – Ela morreu quando tinha dez anos.
- Oh! Meus pêsames.
- Obrigado – Número 3 agradeceu pela compaixão de Taylor, secando com a ponta dos dedos uma lágrima.
- Vamos querida, é hora do café – convidou-a, depois de alguns segundos.

7 de abril de 2011

A Invasão.

Capítulo Sete

- Você nos ajuda, Taylor? – perguntou Emilly, com sua voz doce e calma.
- Mas... eu não entendo... no que eu vou poder ajudar? – Taylor estava confusa com tudo o que lhe foi dito, era informação demais.
- Eu sei que é informação demais Taylor, mas nós precisamos da sua ajuda. – disse Emilly, respondendo ao pensamento de Taylor assim como Número 3 também fazia.
- Eu... eu estou cansada – suspirou, lembrando-se do dia estranho e perturbador que havia tido. Chegou à conclusão de que precisava de uma cama.
- Número 3, providencie uma cama para nossa hóspede – ordenou Emilly, e dirigindo-se para Taylor continuou. – Você está muito cansada minha querida, Número 3 irá levá-la ao seu quarto. Sinta-se em casa – despediu-se sorrindo.
Levantou-se de sua poltrona e foi em direção a porta ao lado da lareira. Número 3 olhou para Taylor e pediu que o seguisse. Entraram pela mesma porta em que Emilly e depararam-se com um corredor longo e quase todo escuro, se não fosse pela luz que saia pela fresta de uma porta. Número 3, que estava à frente, parou diante de uma cômoda ao lado esquerdo do corredor, abriu uma das portas e retirou um candelabro que à luz do quarto, parecia ser feito de ouro. Sem que Taylor nem mesmo percebesse, enfiou a mão no bolso do sobretudo e tirou uma caixinha de fósforo, com a qual acendeu as velas.
De imediato todo o corredor foi tomado pela luz transmitida pelas velas do candelabro. Taylor pôde perceber que as paredes eram de um tom entre o azul claro e o azul céu, com quadros dos dois lados que não prestou muita atenção devido ao cansaço. Depois de três quartos dispostos aleatoriamente pelo corredor, chegaram ao que seria ocupado por Taylor. A porta era baixa, o que a obrigou a abaixar-se.
Número 3 deixou o candelabro sobre a mesa de cabeceira e se retirou. Devido ao cansaço, tudo o que Taylor constatou foi que o quarto era grande, e o mesmo se aplicava a cama. Sentando-se na cama percebeu que a mochila ainda estava nas costas, tirou e colocou-a ao lado da cama. Deitou, olhando para o teto, e desmaiou.

***

- Acorde meu bem, já é tarde – falou mamãe, despertando-me de um sonho estranho.
Alienígenas, dois mundos, invasão, ajuda. Casa Grande, homem misterioso, leitor de mente, Emilly. Sim, foi tudo um sonho.
Abri os olhos e tornei a fechá-los. Mamãe já havia aberto as cortinas como sempre fazia pela manhã, dizia que ajudava a dar vida ao ambiente. Ah, e pelo fato de ainda chamá-la de mamãe, bom, é por puro costume mesmo.
- Tem como fecha as cortinas mamãe? Isso me deixa cega! – exclamei, esfregando os olhos para que se acostumassem com a luz.
- Não seja exagerada Tay – ela disse, beijando minha testa.
- Não estou exagerando – falei num tom irritado, e imediatamente ela foi em direção a janela.
- Meu Santo Deus, o que é aquilo? – perguntou surpresa e assustada ao mesmo tempo.
Saltei da cama e corri à janela, olhando por trás de minha mãe. Mesmo estando ao longe, dava para ver que centenas de pessoas com uniformes de astronauta se aproximavam, onde era o jardim de casa agora haviam aparelhos como os de filmes de cientistas, e estacionado na rua, estava uma grande espaçonave com um emblema da N.A.S.A.

***

- É a invasão! – gritou Taylor, acordando num pulo.

3 de abril de 2011

(Pré)Descoberta

Capítulo Seis

- Meu nome é Emilly – disse a garota, que ainda sustentava sua mão no ar.
- Prazer em conhecê-la – disse Taylor, estendendo sua mão.
Emilly desvencilhou-se da mão de Taylor naturalmente e voltou a sentar-se na poltrona ao canto da aparente sala. Era estranho dizer o que de fato era aquele cômodo, pois tudo o que havia era uma lareira que aparentava não ser usada há séculos, muitas velas sobre uma mesa de centro e no canto oposto à janela, uma poltrona antiga.
- Número 3, busque uma almofada para nossa hóspede – ordenou Emilly com um tom de autoritarismo na voz, porém, ainda doce.
- Sim senhora... senhorita – falou Número 3, indo em direção à uma porta que até então Taylor não percebera.
Enquanto o suposto criado não voltava, supunha Taylor, as duas garotas permaneceram caladas. De um lado da sala estava Emilly, sentada tranquilamente. Do outro lado Taylor, em pé, com os dedos de suas mãos entrelaçados.
Um minuto depois Número 3 entrou na sala com os braços estendidos e sobre eles duas almofadas, uma totalmente branca e a outra num tom de rosa claro. Parou diante e Taylor, abaixou-se e deixou com que as almofadas caíssem delicadamente sobre o chão poeirento. Taylor percebeu que uma pequena faixa de luz que vinha da janela, fazia com que as pequenas partículas de poeira que agora flutuavam pelo cômodo vazio, ficassem visíveis.
Mesmo com a volta de Número 3 o silêncio ainda continuava cada vez mais angustiante, até que Emilly resolveu quebrá-lo:
- Você deve estar querendo saber por que mandei Número 3 trazê-la até mim, não é Taylor? - perguntou.
- Sim - respondeu Taylor, assentindo com a cabeça ao mesmo tempo que falava.
- Ele com certeza deve ter lhe dito que você foi a garota escolhida, não é?
- Foi algo assim. – disse Taylor, recordando as palavras de Número 3.
- Eu a escolhi para algo muito importante, e conto com a sua ajuda, já que é a única capaz.
- Importante para que? – perguntou Taylor, confusa.
- Nós, pessoas de Marte, estamos sendo “ameaçados” e você é a única pessoa do seu planeta capaz de nos ajudar.
- Ameaçados? Como assim?
- Ameaçados por seus “irmãos” de planeta Taylor. Eles estão cada vez mais próximos de nos descobrir. Você não sabe o quanto é ruim não saber quando eles estarão chegando para que nós possamos “esconder-nos” – desabafou Emilly.
- Oh – foi tudo o que Taylor pode pronunciar, atônita.

22 de março de 2011

A Promessa

Capítulo Cinco

- Que tipo de pessoa se chama Número 3?
- O tipo de pessoa que você não é – falou Número 3.
- E o que você é? – perguntou Taylor.
- Ora, você ainda não percebeu minha querida? – perguntou, mas sem esperar por respostas. – Sou o que vocês, humanos, chamam de extraterrestre – disse dando ênfase ao pronunciar extraterrestre, como se tal palavra lhe causasse náuseas.
“Oh Deus! Sim, extraterrestre. Como foi que não pensei nisso antes?” pensou Taylor.
- Vocês, humanos, nunca foram capazes de acreditar em nós. Por isto é que são tão... – mais uma vez suas palavras ficaram perdidas. Tinham acabado de chegar à frente da maior casa que havia no vilarejo. Três andares, mas apenas uma pequena janela. Era a primeira vez que Taylor via uma casa como esta.
Pela janela podia-se ver uma luz bruxuleante, que pensou ser produzida por velas. Foi tomada instantaneamente por uma vontade de entrar naquela grande casa, mas limitou-se apenas a olhar para Número 3.
- Só quero lhe avisar algo antes de entrarmos, Taylor – falou, com pequenas rugas de preocupação formando-se em sua testa.
- Pode dizer.
- Você terá que me prometer que não irá comentar nada com ninguém. Você promete?
- Mas por que não poderei falar nada? Vocês me parecem tão incríveis.
- Isso tudo você ficará sabendo em breve minha querida. Mas por ora preciso apenas que me prometa nunca contar a ninguém.
- Sim, eu prometo – jurou Taylor, sem pensar nenhuma vez mais.
Número 3 sorriu, pegou sua mão e levou-a para dentro. Ao passar pela porta, Taylor sentiu como se houvesse ultrapassado as barreiras de um campo eletromagnético, pois teve a sensação de ter seu corpo comprimido. Apertou com força a mão de Número 3, mas assim que a sensação passou, soltou-a.
Ela tinha razão, toda a iluminação daquela casa vinha de velas. Muitas velas por sinal, constatou Taylor. Sentia-se protegida lá dentro, e quente. As velas transmitiam calor também, afinal.
Ficou olhando de um lado para o outro, encantada, até perceber uma terceira pessoa. Era uma garota alta, com cabelos escuros e olhos no mesmo tom. Sua beleza combinava perfeitamente àquela casa. A garota estava sentada numa poltrona a um canto, e sorria.
Levantou-se com um salto gracioso, estendeu sua mão e falou com uma voz doce:
- Bem vinda à Casa Grande, Taylor.

19 de março de 2011

O Número 3

Capítulo Quatro


Na cabeça de Taylor aquela afirmação insistia em repetir-se. “E ele está minha querida.” O que ele queria dizer com: “O tempo está em minas mãos.”? Ninguém é capaz de controlar o tempo.
- É aí que você se engana Taylor – disse o homem, falou logo em seguida. – Vocês, seres humanos, não controlam o tempo, mas...
Ele não completou sua frase, pois acabara de chegar ao vilarejo. Casas pequenas erguiam-se pelos dois lados da estradinha, e ao centro entrava-se uma grande fonte de água. Taylor estava encantada com o que via: homens, mulheres e crianças, casas bonitas e uma fonte encantadora. “Eu nunca vi este lugar antes”, pensou.
- Você é a primeira humana que vem a este vilarejo, minha querida.
Como um sobressalto, Taylor saiu de seu transe. Não havia se acostumado com o fato de estar com alguém capaz de ler mentes.
Conforme iam andando, todas as pessoas paravam o que estavam fazendo e encaram Taylor como se esta lhes oferecesse perigo. Assim que percebeu, Taylor apertou as mãos do homem com mais força. Não sabia o que estava acontecendo. Sentia muito medo.
- Não se preocupe, eles não farão nada enquanto estiver comigo – tranquilizou-a , ainda com a voz calma.
Era incrível como aquele homem podia tranquilizá-la apenas com poucas palavras. O que era este homem que tanto a impressionava? Parecia loucura, mas já que não estava num sonho, tinha a suspeita de que ele era de mundo. “sim, isso é uma loucura”, balançou a cabeça, tentado apagar este pensamento.
- Você é mais esperta do que imaginei – confessou.
- Qual seu nome? – perguntou Taylor.
Esperava alguma resposta vaga, totalmente sem sentido, ou na melhor das hipóteses, resposta alguma. Mas dessa vez foi diferente, houve sim uma resposta.
- Meu nome é Sebastian III, mas pode me chamar de Número 3.


Meus amores, estou bem ocupada ultimamente com trabalhos e uma ou outra prova no colégio, mas prometo que sempre que puder irei continuar escrevendo a história e postando para vocês.
E muito obrigada a todos vocês que leram e que estão acompanhando.

18 de março de 2011

O Senhor do Tempo

Capítulo Três


- Que lugar é esse? – perguntou Taylor, desorientada.
O homem ao seu lado apenas sorriu, esperando pela pergunta certa. Mas na cabeça de Taylor, centenas de perguntas chocavam-se tentando saírem de sua mente e serem transmitidas por seus lábios. Onde estava? Quem era este homem misterioso? O que ele queria? Não importava quantas perguntas fizesse, tinha uma pequena certeza de que não haveria uma resposta.
- Ou pelo menos não uma que lhe esclareça o que realmente quer saber – sugeriu o homem de preto.
- Você... Ãhn, o senhor lê mentes? – perguntou confusa.
- Bom, se você chama ouvir pensamentos de ler mentes, sim, eu leio.
Suas perguntas haviam mudado drasticamente, pois o que queria agora era saber o que era este homem, e não quem era.
- Santo Deus, como você faz pergunta hein? – disse ele, olhando para suas mãos, que continuavam juntas.
Imediatamente Taylor retirou suas mãos das dele, tomou coragem e falou em tom de chantagem:
- Se você não me contar o que estou fazendo aqui, irei embora agora, está entendendo?
- Ok, ok, você venceu – disse e logo em seguida completou, avisando-lhe. – É melhor que mantenha suas mãos junto das minhas para que vejam que não está só. Não me responsabilizarei caso aconteça algo caso pensem que está sozinha.
Por instinto, passou em seguida a olhar de um lado para o outro em busca de alguma coisa que pudesse oferecer perigo, mas tudo o que viu foram as arvores atrás de si, e pequenos pontinhos andantes ao longe, no vilarejo. Por mais que nada aparentasse ser perigoso, sentia que o homem estava falando a verdade, e nada lhe restou fazer a não ser devolver suas mãos onde às dele se encontravam.
Tudo o que tinha a fazer era segui-lo e esperar até a hora em que todas suas dúvidas fossem resolvidas, e sentia que não iria demorar muito para obter algumas respostas para suas perguntas. Os dois, lado a lado, começaram a caminhar pela estradinha rumo às pequenas casas ao longe. Sua vontade era de correr e chegar o mais rápido que pudesse, mas o homem ao seu lado andava calmamente, como se o tempo estivesse em suas mãos.
- E ele está minha querida – o homem afirmou, sorrindo maliciosamente.

17 de março de 2011

Sonho ou realidade?

Capítulo Dois


Taylor já ouvira aquela voz antes, só não se lembrava onde nem quando. Como num filme de terror, sua vida toda passou em sua mente e pela primeira vez, desde que deixou de ser criança, sentiu medo novamente. Ela se fazia a mesma pergunta, sob milhões de formas: O que essa pessoa quer de mim?
Como se houvesse lido seus pensamentos, aquela voz rouca falou, num tom calmo:
- Eu quero te mostrar um lugar especial.
Taylor já havia sido tomada completamente pelo medo que não pôde ao menos perguntar quem era a pessoa, ou para onde queria levá-la. Percebeu que suas pernas e suas mãos tremiam levemente, e tentado esconder este fato da pessoa misteriosa, colocou as mãos nos bolsos de sua blusa.
- Não precisa ter medo de mim, não irei machucá-la – ainda falava de modo calmo, porém, com certa emergência acrescentou. – Taylor, não temos muito tempo, preciso que venha comigo.
Ele esticou sua mão direita, convidando-a a seguir o caminho com ele. Taylor não teve muita certeza sobre o que acabara de acontecer, mas passou a sentir confiança naquele homem alto, que se escondia sob um sobretudo e chapéu pretos. Olhou dentro de seus olhos, buscando uma confirmação daquela súbita confiança, então retirou suas mãos do bolso e entregou-as ao misterioso homem.
Ficou parada alguns segundos esperando que ele começasse a caminhar, mas não sabia que não era essa a intenção dele. Perguntou-se o porquê daquele homem não começar a andar, já que precisava levá-la ao tal lugar especial, então se virando para perguntar, viu em seu rosto um breve sorriso seguido das seguintes palavras:
- Feche seus olhos minha pequena, como num sonho.
Obedecendo a ordem, fechou seus olhos e de imediato sentiu um puxão vindo de dentro de seu umbigo. Lutou para abrir seus olhos e ver o que estava lhe causando todo aquele incomodo, mas de nada adiantou, seu olhos pareciam estar colados. Pensou em gritar, pedir àquele homem que parasse, e nesse mesmo instante foi o que aconteceu. Tudo parou.
- Abra seus olhos, chegamos.
Ao abrir os olhos, esperando estar em qualquer parte do mundo, surpreendeu-se. Estava no mesmo bosque onde há segundos atrás um homem misterioso convenceu-a de alguma forma, a viajar para um certo lugar especial. Balançou a cabeça algumas vezes, achara que estivera em algum sonho maluco. Olhou ao redor, procurando pelo homem e nada havia ali além de arvores e gramas. Em sua cabeça só havia uma afirmação: “Sim, eu devo ter sonhado.”
Colocou suas mãos nos bolsos de sua blusa e seguiu pela trilha, mas quando chegou ao fim percebeu que não estava no lugar certo. Onde deveria haver uma rodovia cheia de carros, tinha uma estradinha de pedra que pelo que podia ver, levava a um pequeno vilarejo. Não fazia idéia de como chegara aquela lugar, nem sequer sabia se o que havia acontecido minutos antes fora verdade. Então confirmando sua suspeita sobre o fato do homem misterioso, este mesmo pegou em sua mão, convidando-a a seguir a estrada para o vilarejo.

16 de março de 2011

Uma surpresa inesperada.

Capítulo Um


Há uma semana de seu aniversário de dezoito anos, Taylor resolveu sair da casa de seus pais devido a uma briga. Era por volta das seis horas da manhã e seus pais ainda dormiam. Com todo cuidado para não fazer barulho, juntou em sua velha mochila roupas e alguns acessórios, tendo em mente um hotel de beira de estrada como hospedagem. Não sabia ao certo quanto tempo levaria até seu destino, e para se prevenir, assaltou a geladeira e o armário de casa: garrafas de suco, algumas frutas leves, pacotes de bolacha e tudo o mais que fosse fácil de carregar.
Antes de sair passou no escritório de seu pai, abriu a gaveta da mesinha e retirou papel e caneta. Então escreveu em letras rabiscadas, por causa de sua pressa:
“Pai, eu sei que vocês só queriam o melhor para mim obrigando-me a fazer faculdade de direito. 
Mas vocês terão que entender que não nasci para seguir regras, eu nasci para criá-las e é
 exatamente isso que irei fazer de agora em diante, criarei minhas próprias regras.
Não se preocupem, estarei bem.
Apesar de tudo que está acontecendo, eu os amo muito.
Tay.”
Ao terminar, deixou o bilhete preso sob o livro favorito de seu pai, O Mundo de Sofia, e ficou examinando a capa por longos segundos, imaginando como ficariam seus pais depois que ela partisse. Então como se fosse um sinal para que não desistisse, o celular vibrou em seu bolso informando que faltavam apenas dez minutos para as sete horas da manhã. Olhou uma ultima vez para o escritório, relembrando às vezes em que conversara sobre o mundo com seu pai e saiu o mais rápido que pôde, antes que alguém resolvesse acordar mais cedo.
Não estava muito disposta a chamar atenção dos vizinhos para o caminho que ela seguiria e decidiu ir pela trilha do bosque que havia no bairro. Enquanto caminhava, olhava para todas aquelas casas ao redor da sua, memorizando tudo para que nunca se esquecesse de onde saíra. Antes de adentrar no grande bosque virou-se e permitiu que uma pequena lágrima de saudade escorresse por sua face. Baixou a cabeça decidida, e continuou sua jornada.
Seus passos eram longos e rápidos, como na fuga de uma prisão. Ela forçava a si mesma a andar mais rápido, só para não correr o risco de ser fraca e abandonar seus planos. O tempo passava, cinco minutos para ser exata, e nada a sua volta mudava. Arvores, grama e mais arvores. Sabia que demoraria mais algum tempo até chegar à rodovia, então não tinha com o que se desesperar. O bosque geralmente era deserto, sem pessoas e sem animais, apenas as centenas de arvores que agora a rodeava.
Como num passe de mágica os pêlos de seus braços de arrepiaram, e sentiu o medo entrar por suas células e invadirem seu corpo e sua mente. Passou rapidamente a observar o lugar a sua volta a procura de alguém, mas não fora capaz de ver nada além do verde das arvores.
- Olá Taylor, como vai? – perguntou uma voz rouca vinda de trás de uma arvore ao seu lado.

7 de março de 2011

(in)diferente


- Que culpa eu tenho se durante todo esse tempo você preferiu fingir ser cega? – perguntei a ela, com raiva. – Faz mais de um ano que eu estou com a Bruna!
- Você estava com essa garota – disse ela, dando ênfase ao pronunciar a palavra estava.
- É tão difícil entender que é com ela que eu vou ficar não importa o que você pense ou diga?
- Vocês só irão ficar juntas quando eu morrer! – ela gritava. – Você é minha filha e não vou admitir que estrague sua vida assim.
- Mãe, eu já tenho dezoito anos e acho que posso muito bem saber o que é melhor para mim, não acha?
- Não enquanto estiver morando em minha casa – falou com um ar que quem acaba de ganhar um jogo.
- Eu desisto de tentar resolver isso tranquilamente – disse eu. – Se a condição para seguir meu próprio caminho é ficar fora da sua casa, então tudo bem mãe, você venceu.
- Eu sabia que você iria perceber que estava errada minha filha.

21 de fevereiro de 2011

Não-querido diário de Izzy pt.7



Quarta, 10 de agosto, 8:20

Foi muito, muito, muito bom ontem à noite. Mark e eu contamos aos garotos que estamos ficando, e eles até aplaudiram, feito bobos. Minha mãe fez bastante pipoca, e o Cris trouxe todos os filmes dos Jogos Mortais para nós vermos. Tudo bem que em algumas partes quase todas eu morria de rir das coisas idiotas que aconteciam, e no ultimo, na hora em que aparece o Chester, vocalista do Linkin Park, eu comecei a reclamar dizendo que estavam machucando meu fofo, então o Mark veio e me mordeu só por isso. Acho que nunca me diverti tanto assim antes.
Era quase meia noite quando os garotos foram embora, e Mark me beijou na frente da mamãe, o que resultou numa pergunta depois:
- Vocês estão namorando e não me contaram é?
Pois é, ela ainda acha que deve saber tudo o que acontece na minha vida.

Ahh, a Sofia está bem ao meu lado agora me lembrando que temos trabalho hoje. Tenho que voltar a estudar agora.

17 de fevereiro de 2011

Não-querido diário de Izzy pt.6



Segunda, 8 de agosto, 22:10

Filosofia é a pior matéria que já inventaram, fato. Como é que alguém consegue entender o que se passava na cabeça daqueles filósofos? Ainda enlouqueço com isso.
Ahhh, Mark mandou uma mensagem faz pouco tempo, dizendo que irá passar aqui em casa pela manhã para me levar ao colégio. Bom, nós não estamos de fato namorando, mas é como se estivéssemos. Está sendo muito bom isso.
Quem diria que eu um dia namoraria ou quase meu melhor amigo?
Ele é um garoto tão fofo, e engraçado, e bobo, e até bonito. Tomara que eu não faça mais nada errado, não é?
E agora vou ter que dormir já que ele virá me buscar. É isso.

31 de janeiro de 2011

Não-querido diário de Izzy pt.5


Segunda, 8 de agosto, 19:50

Estou tão feliz sabe? Foi muito melhor que eu esperava, ele me ama e eu não o decepcionei. Estou feliz por mim e muito mais por ele, por nós e por todos.
Ahh, esqueci que não contei como foi depois do colégio. Então, quando eu estava saindo Mark já estava me esperando do lado de fora. Sorri para ele, meio desconfortada e ele me abraçou. Precisávamos de um lugar calmo para conversar e fomos ao parque. Assim que chegamos, sentei-me no banco, deixei minha mochila ao lado e o convidei para sentar, e ele o fez.
Eu estava completamente nervosa e ele deve ter percebido, porque começou a falar comigo:
- Izzy, o que aconteceu ontem mexeu bastante comigo, eu não esperava que você fosse dizer aquilo, me machucar daquela forma.

28 de janeiro de 2011

Não-querido diário de Izzy pt.4


Quase segunda-feira, 23:52

Criei coragem, depois de passar quarenta minutos com o celular na mão, para mandar uma mensagem para Mark dizendo que precisávamos conversar desta vez, de verdade. Ele respondeu, disse que talvez pudéssemos tentar conversar amanhã, no mesmo horário e no mesmo lugar.
Confesso que estou muito ansiosa, quero pedir desculpas e resolver nosso problema o quanto antes. Eu sinto muito mesmo por ter feito aquilo. Ele é meu melhor amigo, e eu gosto muito dele.
Mas acho que agora terei de tentar dormir.
É.


27 de janeiro de 2011

Não-querido diário de Izzy pt.3


Domingo, 7 de agosto, 13:41

Acabei de me arrumar para encontrar Mark no parque. Vesti-me como sempre, moletom, calça jeans e all star. Peguei o iPod e meu celular, só falta passar na cozinha e pegar uma latinha de coca-cola antes de sair.
Mark não ligou nem mandou mais nenhuma mensagem, isso quer dizer que ele vai estar lá na hora marcada. E como meu skate ficou na casa do Henri, terei de ir a pé, logo, é melhor é sair agora.
Deseje-me sorte, não sei o que irá acontecer.

Domingo ainda, 18:13

Estou me sentindo muito burra, por dois motivos. Primeiro pelo que falei para Mark, e segundo por não ter levado você junto. Sou muito, muito burra mesmo. Como pude magoar ele daquela forma? Eu não pensei em nada, não pensei nele, em mim, em ninguém. Eu só queria que nada tivesse acontecido. Só queria que Mark não dissesse que gosta de mim de uma maneira diferente de antes. Eu não olhei em seus olhos, eu o decepcionei. Eu perdi sua amizade. Eu perdi tudo!


Melanie me visita.

Eu estava apenas sonhando, disso eu tinha consciência, mas era tudo tão real. Eu tinha uma filha muito linda, Melanie, mas eu a chamava de Mel, tanto pela combinação com o nome, mas também pelos olhos dela serem num surpreendente tom de mel. Seus cabelos eram escuros e cacheados, pelo ombro. Tinha o sorriso mais doce e sincero que já vi, e parecia uma princesinha. Minha pequena princesinha.
No sonho, ela pegava em minha mão e corria, querendo me mostrar algo. Sorri e a segui. No mesmo momento em que comecei a andar, o cenário foi mudando, se transformando numa casa. Percebi que aquela casa era a mesma em que morei quando tinha a idade dela, seis anos.
Ela continuava me puxando pelas mãos, me levando para um quarto. Perguntei onde estávamos indo, e ela respondeu que era uma surpresa. Fechei meus olhos e deixei que ela me guiasse. Eu confiava naquele pequeno anjo.
Melanie pediu para que eu parasse enquanto ela abria a porta, e assim fiz. Ainda de olhos fechados, pude sentir uma luz me cegar. Estava tudo vermelho. Perguntei se estava tudo bem, e a resposta foi sim. Ela me abraçou e disse para que eu abrisse meus olhos, então obedeci.
Ao abrir meus olhos, eu estava de volta ao meu quarto, com uma única imagem gravada em minha mente. Minha linda Mel.

26 de janeiro de 2011

Não-querido diário de Izzy pt.2

Ainda sábado, 23:09

Mamãe estava certa, eu precisava mesmo abrir minha vida para alguém, e você é a melhor pessoa coisa para quem posso me abrir e contar o que se passa na minha cabeça.
Depois do beijo que Mark me deu, passei o resto da tarde pensando no que eu deveria ter dito e feito. Caso eu tivesse esperado, talvez agora eu soubesse o que tanto ele queria me contar, e não estaria ansiosa desse jeito. Faz uns dez minutos que ele me mandou duas mensagens.

Mark, 22:54
Olá Izzy, espero que você possa conversar comigo amanhã, o que tenho pra contar é sério.

Mark, 22:57
Caso queira conversar comigo, vou estar te esperando no parque às 14:30.

Agora além de ansiosa estou curiosa. Quero muito saber o que é tão sério para Mark. Ele nunca foi de ter coisas sérias para falar, ainda mais comigo. Nossos assuntos sérios sempre são shows, viagens e castigos, e não vejo qualquer outro assunto que possa ser sério para ele. Outra coisa estranha foi aquele beijo. Tudo bem que já o vi ficar com outras garotas, e os garotos que já fiquei foram ele e o Cris que ajudaram, mas nunca conversamos sobre isso. E eu nunca poderia imaginar que ele iria me beijar.
Pois é, ainda estou surpresa com aquilo. E agora me sinto exausta de não ter feito nada, preciso da minha cama agora.

25 de janeiro de 2011

Não-querido diário de Izzy.

Sábado, 6 de agosto, 9:45.

Não-querido diário,
Por você ser um presente não-desejável, não me sinto na obrigação de te chamar de querido, mas já que agora você é meu, então vou ter que te contar toda a minha vida ou quase toda.
Vou começar me apresentando:

Nome: Isabella Harper Müller, mas somente meus pais me chamam pelo nome. Sou mais conhecida por Izzy.
Idade: 15 anos até o próximo dia 6, ou seja, em um mês.
Estado civil: Feliz ou não comigo mesma.
Descrição: Um metro e sessenta e seis. Olhos castanhos escuros, mas de vez em quando é mais para preto. Cabelos pelos ombros, pretos com mechas loiras e vermelhas. Não sou de usar roupas de marca, e não troco por nada meu all star preto que eu mesma personalizei.
Nome dos pais: Anna Beatriz Harper Müller e John Christian Müller.
Animais de estimação: Tenho uma hamster chamada Charlotte. Ela é albina, mas como a falta de cor em seu pêlo não me agradou muito, acabei pintando de rosa, vermelho e preto. No começo minha mãe brigava muito por causa disso, dizia que iria fazer mal a Charlotte, mas agora ela já se acostumou. Ela é bem gordinha, e gosta bastante de fazer exercícios.
Melhores amigos: Nunca fui uma daquelas garotas de se aproximar muito das pessoas, ainda mais de outras garotas, então sempre tive meu próprio grupo. Felizmente sou a única garota a andar com Mark, Henri, e Cris. Formamos um grupo engraçado e muito louco. Dou-me bem com os três, mas o que sempre está ao meu lado é Mark.

E por enquanto é somente isso que tenho a dizer sobre mim. Espero poder te fazer meu melhor amigo, assim como minha mãe quis quando me deu você de presente adiantado. Ela te entregou a mim e disse: “Isabella, acho que já está na hora de você abrir sua vida um pouco mais, e como você não irá fazer isso para mim, que seja para ele.”
Não gostei nada do que ela tinha feito, mas não te recusei, apenas peguei das mãos dela e vim para meu quarto, testar se eu iria me dar bem com você.

24 de janeiro de 2011

Caminho da felicidade.

Às vezes me perguntam qual o segredo da felicidade, e sempre digo que o segredo é viver cada dia como se fosse o ultimo. Mas se me fizessem essa mesma pergunta agora, minha resposta seria um pouco diferente, e mais complexa. Eu diria:
- A felicidade é muito mais que um sentimento, é uma união de emoções, de paz e de amor. Então quando uma pessoa procura a felicidade, ela tem que ser e estar feliz, e não apenas sentir a felicidade. E temos um detalhe, não há segredos. Ser feliz é tão simples quanto andar, falar e pensar. Ser feliz é dar valor as pequenas coisas, é sorrir, abraçar, amar, chorar, gritar, pular, ver, pensar, sentir, falar, retribuir, ajudar, ensinar. Quando sorrimos ou olhamos dentro dos olhos de alguém transmitimos o que se passa dentro de nós, ou seja, o que está em nossa alma. Abraçar é demonstrar amor, carinho e afeto, é oferecer felicidade e paz. Quando choramos, gritamos ou pulamos, limpamos nossas almas de todo o mal, mas também demonstramos nossa alegria. Pensar ajuda a solucionar problemas, logo, nos leva ao caminho da paz. Sentir eu diria que é uma das melhores coisas que podemos fazer, pois quando nos damos a oportunidade de sentir o que está a nossa volta, damos uma chance da felicidade se aproximar. Retribuir, ajudar e ensinar são belas maneiras de, além de ter a felicidade por perto, levá-la as pessoas que precisam tanto quanto nós.
“Então temos que abrir nossa alma e aproveitar as oportunidades que a vida nos dá para sermos felizes.

19 de janeiro de 2011

Thinking of You. (Parte IV)

Primeira - Segunda - Terceira partes.
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- Amy, corre! – gritou Tom.
- Tom – falei, com lágrimas nos olhos, - ele vai precisar de um coração, eu sei.
- Não Amy – ele falou. – Agora corra!
Nessa hora fui tomada pela adrenalina, fazendo com que minhas pernas se movimentassem numa velocidade surpreendente. Peguei minha bolsa no banco e as chaves do carro.
Charlie estava deitado no banco de trás assim como Max, tempos atrás. Olhei para Tom e disse que eu iria ao lado de Charlie, caso ele precisasse de alguma coisa.
Chegamos rapidamente ao hospital e tudo aconteceu da mesma forma de anos antes: os enfermeiros chegaram correndo, colocaram Charlie numa maca e o levaram para dentro. Eu sabia que não iria dar certo correr atrás dele porque dessa vez eu era a responsável, teria que assinar alguns papéis e cuidar para que o hospital pudesse fazer o melhor para ele.
Sabia também que ele iria precisar de um coração e que não teria nenhum na gaveta esperando ser encontrado. Teria que haver algum doador com sangue compatível, e de preferência, que esteja morto. Eu não poderia salvá-lo, nosso sangue era diferente, então eu não tinha muito que fazer.
Cada minuto que se passava, meu coração sofria ainda mais, parecia que iria sair correndo a qualquer hora. Tudo estava se passando em câmera lenta, e as notícias não vinham nunca. Eu precisava saber logo o que meu garotinho tinha.
O médico veio em minha direção com um caderno, perguntou se eu era mãe do Charlie e respondi que sim, então ele disse: ”Seu filho vai precisar de um novo coração.” Só não senti o mundo sob meus pés desabar porque já sabia da grande possibilidade disto acontecer, mas ainda tinha a esperança de que não acontecesse.
Tom me abraçou e disse que tudo ficaria bem. Perguntou ao médico se já tinha algum coração disponível, mas infelizmente o Dr. Augusto disse que o sangue de Charlie é muito raro.
Eu daria tudo naquele momento para ser compatível com ele, mas não estava ao meu alcance. Eu morria aos poucos sabendo que meu filho tinha poucos dias de vida. Pedi ao médico para poder ver Charlie, e ele deixou. Fui até o quarto, ele estava deitado com muitos fios pelo corpo, como Max. Dei um beijo em seu rosto e falei:
- Charlie, vai ficar tudo bem. Mamãe vai cuidar de tudo está bem? Logo você vai voltar para casa para brincarmos como antes. E não se preocupe, mamãe vai estar aqui ao seu lado. Eu amo você meu querido.
Eu não podia suportar, meu coração sentia uma dor imensa em vê-lo deitado, com aparelhos ligados ao corpo.

18 de janeiro de 2011

Aventura no Porshe Amarelo.

Acordei e olhei para o relógio na mesinha ao lado da cama, eram 05h30min. Virei-me na cama e olhei para o teto contando mais uma vez as cinqüenta e três estrelas que eu e Jake havíamos colado. Era sábado, meu primeiro dia de férias, e já estava sendo tedioso. Levantei da cama, fui ao banheiro e lavei o rosto. Voltei para meu quarto, troquei de roupa e fiquei olhando pela janela, até que vi um conversível amarelo vindo em direção a minha casa. Eu conhecia aquele carro, era um porshe amarelo berrante, pertencia a Sra. Mary, mãe de Jake.
Um sorriso passou por meus lábios quando o vi sentado no banco do motorista. Peguei um casaco que tinha deixado em cima da cama e desci as escadas a pressa, e fiquei esperando que ele tocasse a campainha. Ele tocou e então fui em direção a porta e a abri. Ele estava com uma bermuda de praia, camiseta e boné, simplesmente lindo. Ele olhou para mim, com seus olhos castanhos escuros e disse:
- Arrume-se Bia, estamos indo à praia.
- Praia Jake? – perguntei – Agora?
- Claro meu amor, agora – ele respondeu, sorrindo. – Arrume suas coisas, te espero no carro.
Ele me deu um beijo e saiu.
Voltei correndo para meu quarto, peguei minha mochila e coloquei todos os biquínis que eu tinha, algumas blusinhas leves e saias. Fui até a gaveta da mesinha, peguei meus óculos escuros e coloquei-os. Escrevi um bilhete para minha mãe e saí.
Jake me esperava do lado de fora do carro, se aproximou, me deu mais um beijo e tirou a mochila de minhas mãos para guardar no porta-malas. Eu me sentia alegre, seriam as melhores férias da minha vida.
- Está preparada para uma semana de aventuras meu amor?
- Estou sim, Jake.
Ele me pegou no colo e me colocou no banco ao lado do motorista. Assim que se sentou ao meu lado ele me beijou, sorrindo, e pediu para que eu escolhesse algum CD para que ouvíssemos. Abri o porta-luvas e vi algo além dos CDs. Tinha uma caixinha junto, e quando abri, encontrei um par de alianças prata com uma pedra. Nós estávamos ficando há quase um mês, e isso significava que ele estava me pedindo em namoro.
- Jake, você... você está...?
- Sim minha Bianca, estou te pedindo em namoro. Você aceita?
- Jake, você é o garoto mais fofo que eu conheço, é claro que aceito namorar contigo.
Ele se aproximou, pegou uma das alianças e colocou em meu dedo, sorriu e disse que iria me fazer a garota mais feliz do mundo. Então passou a mão por meus cabelos e me deu um beijo. Ele olhou em meus olhos e disse:
- Vou tentar fazer você feliz meu amor.
Dei uma risada e percebi que ele estava confuso, então falei para ele:
- Não seja bobo Jake. Você sempre me fez feliz.


Pauta para o Projeto Bloínquês - 52ª Edição Visual  /  Projeto Créativité - 6ª Edição C&F.

17 de janeiro de 2011

Thinking of You. (Parte III)

Você pode ler também a primeira e a segunda parte.
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Eu penso seriamente que devo ter feito algo cruel em outras vidas para merecer sofrer tanto dessa forma. Primeiro meu irmão, Max, depois meu marido, ex-Charlie, e agora meu filho? O que mais a morte quer? Minha vida já está quase acabada.
Ver Charlie cair e ter uma espécie de convulsão me fez lembrar o dia em que o mesmo aconteceu com meu irmão. Entrei em transe lembrando como tudo aconteceu:
“Eu tinha dez anos e Max era o irmão mais velho super protetor, tinha três anos a mais, e Jane a caçula com oito anos. Num dia de domingo papai nos acordou bem cedo para irmos ao campo próximo de casa jogar beisebol. Arrumei-me e depois fiz o mesmo com Jane. Esperamos que Max colocasse o uniforme e fomos para o campo.
“Assim que chegamos vi Max correr para o centro do campo, então puxei Jane pelo braço e obriguei-a a sentar ao meu lado. Ele era o melhor jogador de beisebol que eu conhecia, e valia a pena ver cada lance do jogo.
“Max pegou o taco de beisebol e papai com a bolinha. Papai arremessava bem, mas Max, como sempre fazia, foi incrível rebatendo e fazendo a bolinha sumir atrás das árvores. Ele soltou o taco e correu até a próxima base, só que antes que pudesse chegar ele caiu. De longe eu gritava: “Anda Max, levanta, papai vai ganhar!”
“Ele não respondeu, mas também não levantou. Estava se debatendo no chão. Percebi que algo estava errado e saí correndo ver se ele precisava de ajuda. Ajoelhei-me ao seu lado e vi que estava revirando os olhos. Ele não estava nada bem. Apertei sua mão, olhei para Jane e gritei: “Corra Jane, chame papai agora.”
“Não sabia o que estava acontecendo, mas sentia que era algo muito ruim. Pude ouvir ao longe Jane chamando papai e segundos depois senti sua mão me puxando para longe e pegando Max no colo. Ele olhou para mim e falou: “Amy querida, pegue as coisas e corra para o carro com Jane, teremos de ir ao hospital.”
“Chamei Jane, peguei minha blusa que estava no banco da arquibancada e fui para o carro. Papai já havia deitado Max no banco de trás, e pediu para que eu fosse ao lado dele caso acontecesse algo, e foi o que fiz. Durante o caminho até o hospital, que foi bem curto para dizer a verdade, eu tentava pensar em uma maneira de fazer Max melhorar, mesmo não tendo idéia do que ele tinha.
“Quando chegamos, tudo o que vi foi um monte de enfermeiros colocarem Max numa maca e levarem-no correndo para dentro. Eu queria correr junto com eles, ficar de mãos dadas com Max e o fazer ficar bem. Era tudo o que eu queria fazer, mas quando tentei ir atrás deles, um homem alto vestido como policial não me deixou passar, disse que eu não era grande o suficiente. Olhei para ele incrédula e irritada então mostrei a língua, passei por baixo de suas pernas e corri.

16 de janeiro de 2011

Must Have Done Something Right (PARTE II)

A primeira parte pode ser encontrada aqui.
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E agora aqui estava eu, sozinha me culpando por algo que eu podia ter evitado. Tirei o papel do meu bolso e pela milésima vez o abri, já estava cheio de marcas e em um dos cantos tinha a marca de uma lágrima minha. Como eu tinha vontade de olhar em seus olhos claros novamente, de ver o jeito que ele passava as mãos no cabelo quando ficava nervoso e o rubor em seu rosto quando ficava envergonhado. Como sentia falta do seu abraço apertado, de como eu me sentia segura ao seu lado, do modo carinhoso como ele segurava a minha mão, do seu beijo doce e calmo, do jeito que ele sussurrava possessivo em meu ouvido “minha pequena, minha Lizz” com aquela voz perfeitamente suave. Do seu sorriso contagiante, do brilho em seus olhos cada vez que eu sentia ciúmes. Como eu sentia falta da sua companhia, das suas palhaçadas para me fazer rir, dos seus planos loucos e da sua paciência comigo. Como eu sentia falta do meu Tayler. Fechei os olhos, me concentrando na música para ver se esquecia tudo isso pelo menos por um instante. Mas para a minha grande surpresa a música que estava tocando era aquela. Aquela que me fazia lembrar ele, que me fazia lembrar do modo que ele entrou em minha vida e deu luz a ela. Me lembrava que eu poderia estar bem agora e com ele.
“If anyone could make me a better person, you could all I gotta say is I must have done something good you came along one day, and you re-arranged my life all I gotta say is I must have done something right, I must have done something right” - Se qualquer pessoa pudesse fazer de mim uma pessoa melhor, seria você. Tudo o que eu tenho a dizer é que eu devo ter feito algo bom, você apareceu pra mim um dia, e re-arrumou a minha vida tudo o que eu tenho a dizer é que eu devo ter feito algo certo. Eu devo ter feito algo certo.
Sim, eu devia ter feito algo certo, mas não fiz.
Tirei os fones, não queria mais ouvir aquilo, não queria... Abri os olhos e olhei ao redor. O parque já estava começando a encher, algumas pessoas andavam calmas, e tinha algumas crianças correndo, e brincando no parquinho que tinha ali perto. Olhei em direção ao grande lago, era tão bonito, e agora a luz do sol refletia na água e deixava tudo isso ainda mais impressionante. Lembrei do dia em que vim aqui com ele, nós parecíamos duas crianças correndo por ai e rindo. Foi no dia em que demos o nosso primeiro beijo...

15 de janeiro de 2011

Thinking of You. (Parte II)

A primeira parte da história pode ser encontrada aqui.
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Cinco anos se passaram e aqui estou eu, sentada na árvore perto do rio, observando Tom e Charlie brincar como duas crianças. Desde o dia em que se conheceram, é como se tivesse um elo mais que emocional entre eles. E acho que estou esquecendo de dizer algo, você deve estar confuso não é verdade? Mas então, Tom e eu estamos vivendo juntos desde o dia em que dei uma chance a ele... quer dizer, uma chance a mim.
Confesso que no dia em que deixei que ele me amasse e tentasse consertar o estrago que havia dentro de mim, eu não acreditei muito que ele fosse capaz, mas agora estou aqui, uma nova mulher com um novo coração e uma nova vida.
Tom é realmente um cara incrível, soube ser paciente quando as lembranças de Charlie me atordoavam, cuidava de mim quando estava acabada, fazia palhaçadas para me alegrar, curou as feridas do meu coração e o conquistou, tomando-o somente para ele.
Depois de um ano eu já podia dizer que o amava quase cegamente, e então na manhã em que completávamos um ano de namoro ele me acordou com beijinhos. Abri os olhos e vi que ele estava com uma bandeja nas mãos, isso era normal já que sempre me acordava assim, me sentei, dando espaço para que ele sentasse ao meu lado, e ele colocou a bandeja sobre minhas pernas, e me deu um beijo demorado.
Olhei em seus lindos olhos azuis e falei: “Bom dia meu amor, como está?” Ele sorriu para mim e respondeu: “Estou maravilhosamente bem, afinal, um ano não é Amy?” Seus olhos brilharam ao pronunciar o tempo de nosso namoro, e me senti extremamente bem, pois havia conseguido amar novamente e me sentia feliz.
Ele pegou minhas mãos, olhou fundo em meus olhos e falou: “Você deve estar com fome, hora do café da manhã.” Foi como se meu estômago estivesse reagido àquelas palavras, porque na mesma hora senti uma vontade louca de comer. Mas era uma vontade diferente, era exasperada, eu queria muito comer. Soltei suas mãos para poder comer e percebi que hoje tinha algo diferente, a comida estava tampada. Bom, isso não importava, eu estava com fome. Peguei o copo de suco e tomei um pequeno gole, era de abacaxi, meu preferido. Coloquei a mão na tampa e retirei-a.

14 de janeiro de 2011

Must Have Done Something Right (PARTE I)

Abri os olhos assustada, mais um dia. Olhei para a minha mesinha de cabeceira, para ver as horas, 06:45, domingo. Antes para mim domingo era um dia sagrado, dormir até tarde, não fazer nada, ver ele. Agora? Não passava de mais um simples dia. Levantei fui até o banheiro e me olhei no espelho. Não via nada de mais ali. Uma adolescente, completamente normal, a não ser pelo meu cabelo que eu mesma cortei meio bagunçado eu gostava dele assim, e não ligava para esses negócios de vaidade, eu simplesmente não ligava, principalmente agora. Escovei meus dentes, joguei uma água no rosto, tentando ver se melhorava a minha aparência de zumbi, mas seria meio impossível, afinal havia meses que não sabia o que era ter uma noite de sono, havia meses que eu não sabia o que era fechar os olhos e não ter um pesadelo, havia meses que eu não deixava de pensar nele.
Voltei para o quarto, sentei na cama e olhei para a prateleira, onde tinha três portas retratos, dois era com fotos nossa. Em uma delas estávamos fazendo caretas, o que era comum entre nos dois, na outra eu estava rindo ele me abraçava e tinha um certo brilho nos olhos. A última foto era uma foto só minha, eu não gostava daquela foto, estava dormindo e achava um tanto quando estranha, mas foi ele quem a tirou, ele dizia que eu ficava linda dormindo, dizia que toda a minha braveza, ia embora e dava lugar a “sua princesinha” calma e doce. Por isso a deixei ali, me lembrava ele, não sei talvez isso só me torturasse, essas fotos, as lembranças, mas isso me fazia ter esperanças de que um dia ele me amou.
Levantei, não queria ficar aqui trancada. Fui até o guarda roupa, vesti uma calça jeans, uma blusa qualquer, e meu all star, precisava respirar, precisava sair daqui! Peguei meu moletom, coloquei meu iPhod no bolso e fui para sair, mas quando cheguei na porta, não me aguentei, voltei até a mesinha de cabeceira e peguei o pedaço de papel.
Desci as escadas em silêncio, não queria acordar minha mãe, ela pegava muito no meu pé nesses últimos quatro meses. Ela falava que estava preocupada comigo, até tentou me levar pra fazer compras, imagina eu fazendo compras? Mas eu entendia, afinal ela era mãe. Quando estava quase saindo ouvi um barulho e olhei pra trás, era meu irmão, Mike.

12 de janeiro de 2011

Thinking of You. (Parte I)


- Eu amo você Amy – ele disse em meu ouvido.
Eu não queria ouvir aquelas palavras tão cedo, e para falar a verdade, eu preferia que ele nunca as dissesse.
Ele não sabia o quanto me fazia mal saber que ele me amava; não sabia que dentro de mim existiam apenas fragmentos do que um dia foi um coração.
Sentia-me culpada por ter me envolvido com alguém tão bom somente para tentar curar os ferimentos que havia dentro de mim. Sentia-me culpada por ter me entregado á ele com os pensamentos em outro. Sentia-me culpada por ter dado á ele a chance de se aproximar e me amar.
Fui uma completa egoísta pensando que procurar amor em outros braços faria com que o meu eu pudesse ser consertado, sem pensar que fazendo isso estaria despedaçando o coração de alguém.
Estava me sentindo uma tola, então desci as escadas em direção à janela, tudo na sala estava como meu Charlie havia deixado. Aproximei-me mais e pude ver através do vidro as árvores onde costumávamos fazer piquenique nos domingos e, é incrível, percebi que hoje também é domingo.
Os pedaços do meu coração batiam apressadamente, cada um á seu tempo, com cada lembrança de um passado bom.
Fechei meus olhos para reviver mais uma vez aqueles momentos, então uma mão encostou-se em meu ombro enquanto a outra deslizava por minha barriga, assim como Charlie fazia.
- Oh Charlie, meu amor, por que demorou tanto á descer? – perguntei, me virando para olhá-lo.
Não era Charlie e sim Tom. Olhava-me decepcionado, com aqueles olhos azuis que tanto me lembravam meu soldadinho lindo.
Ele ficou quieto apenas me olhando e pude perceber em seu olhar que tudo o que ele queria era saber o que se passava em minha mente. E para confessar, minha mente agora parecia um baú velho cheio de coisas ocupando espaço. Abri a boca, precisava me desculpar, afinal, fui eu quem começou tudo isso, só que as palavras não saíram. Tentei repetidamente dizer algo, mas nada. Eu não poderia estar olhando para seus olhos, então me virei encarando as árvores ao longe e pedi.
- Me desculpe?
- Quem é Charlie Amy, me conte – ele não respondeu, apenas pediu que eu contasse.
Dentro de mim parecia que tudo iria explodir, eu percebi pela sua voz que havia o magoado. Eu não queria fazer mal á ele.
- Charlie é... huum, é... Charlie é meu ex-marido – confessei.
Eu odiava pensar em mim sem Charlie, e pior ainda, odiava lembrar que ele já não era meu marido. Eu podia sentir agora as lágrimas forçando a saírem, mas eu tinha que ser forte, tinha que dominá-las.
- Tem coisas sobre mim que nunca te contei – falei, tentando focalizar a ponte sobre o rio em que brincava com Charlie.
- Então me conte, eu preciso saber, não preciso? – ele me perguntou.
Bom, isso parecia justo, afinal, eu deixei espaço para que ele se aproximasse e me amasse e agora tudo o que pedia era para saber o porquê eu havia feito aquilo.
- Eu confiei em você durante esses meses em que passamos juntos, só estou lhe pedindo que me conte quem é você? – ele pediu mais uma vez. Então falei:
- Tudo bem Tom, eu vou te contar. Essa história toda me faz muito mal, e eu me culpo a todo o momento por ter me aproximado de você e ter lhe feito mal, e por estar despedaçando teu coração agora, como o meu está há muito tempo.
- Você ainda não o despedaçou meu amor e, eu preciso saber para que ele não seja torturado agora.
- Você tem razão. Você tem razão – repeti, pensando em como começar. – Eu falei que Charlie é meu ex-marido, certo? Então, nós não nos divorciamos. Ele partiu... Partiu e meu deixou nesse mundo, com o coração em pedaços e lembranças de uma vida feliz que parece ter sido há milhões de séculos atrás.
- Ele fugiu, foi isso?
- Não Tom, ele não fugiu, foi muito pior que isso. Ele era do exército. E um dia, quando estava combatendo, ele levou um tiro no peito e morreu em trabalho – nessa parte as lágrimas que estavam presas caíam como as gotas da chuva em uma tempestade, e lembrei-me do dia em que recebi a carta do exército dizendo que ele estava morto. Dizendo que ele nunca mais voltaria para meus braços.
Minha cabeça agora estava ocupada com flashbacks do tempo em que eu era completa. Eu corria ao seu encontro no rio e pulava, espalhando água por todos os lugares. Estávamos deitados sobre uma toalha vermelha, dando vida às nuvens. Dançávamos no último baile de primavera, com todas as moças e seus soldadinhos fofos também dançando a nossa volta, felizes. Era tarde já, todos haviam ido embora, pois no dia seguinte os soldados iriam partir novamente, eu não queria deixá-lo ir, sentia que talvez não o visse novamente. Éramos os últimos na pista de dança, eu olhei em seus lindo olhos e disse: “Volte para mim meu amor, estarei te esperando” e ele retribuindo meu olhar disse “Eu te amo” e beijou minha boca, como despedida.

10 de janeiro de 2011

Serenidade à minha volta.

Uma vez me perguntaram: onde você vai quando está triste?
Hesitei na hora de responder, porque toda vez que eu contava qual era o lugar, a pessoa olhava como se estivesse conversando com uma louca ou algo do tipo.
Fiquei procurando em minha mente alguns lugares menos absurdos, e disse, sem muita convicção:
- Ãhn, fico no meu quarto mesmo.
- Você está mentido – disse a pessoa. – ou porque outro motivo você ficaria toda vermelha?
- Hum, é... Tá, eu estou mentindo – confessei.
- Então me diz, onde costuma ir?
Dessa vez eu estava perdida, tinha que contar a verdade já que não sabia como é que se mentia direito.
Suspirei e falei:
- Cemitério. É para lá que eu vou, meu querido cemitério!
Ela olhou fixamente em meus olhos e pude ver o inacreditável ali, ela não estava surpresa, somente me olhava, como se daquela forma fosse encontrar dentro de mim alguma resposta.
- Você não vai me chamar de louca? Anda, já me acostumei com isso – eu disse.
- Não, não vou – ela falou. - Eu te entendo.
- Como assim não vai? – perguntei, surpresa. – Você não está brincando comigo, está?
- Eu te entendo sim, não sou de fazer brincadeiras – respondeu ela. – Agora me conte mais uma coisa, por que é seu lugar favorito em dias ruins?
Eu não acreditei muito que ela estivesse dizendo a verdade, mas mesmo assim resolvi contar, afinal, eu tinha que confiar. Fechei os olhos, relembrei os motivos e disse:
- Eu tinha uns oito anos, não lembro bem, quando fui ao cemitério pela primeira vez. Foi alguns dias após a morte do meu avô. Eu não havia ido ao seu enterro pelo fato dele morar longe e meus pais não terem muito dinheiro naquela época para bancar uma viagem para cinco pessoas.
“Considero-o como meu único avô, já que nunca conheci o outro. Ele era, e ainda é, meu favorito em toda a família, assim como eu era/sou sua favorita. Sempre brincávamos quando ia visitá-lo, e sempre ganhava presentes dele. Meu avô era a essência da minha infância, e depois do dia que ele partiu para uma nova vida, minha infância se foi também.
“Na primeira vez em que fui até ao cemitério, ao colocar meus pés lá dentro, senti um tremor e um calor bom passar por meu corpo. Senti-me feliz. Era como se pudesse sentir a presença do meu avô ali, ao meu lado, cuidando de mim. Agi por instinto, e corri até o final do corredor central, e encontrei uma espécie de túmulo branco e grande, mas sem a presença de corpos ali, sentei em cima e olhei na direção do sol.
“Lá em baixo, atrás do cemitério, tinha a rodovia cheia de carros passando a alta velocidade e no horizonte, o sol começava a se pôr, iluminando o céu de um rosa alaranjado. Olhei ao redor, para conhecer melhor aquele lugar, e vi ao longe uma pessoa. Bom, não era exatamente uma pessoa, porque quando corri até lá, não havia ninguém. Saí então à procura da pessoa que eu vi, e nada.

Virtualmente Amando.

O amor não é somente uma palavra, é um sentimento, é querer ver a pessoa amada feliz e fazer o possível para que assim seja. Para amar não há regras, escolhas nem exceções; simplesmente acontece, e quando você vê já está amando. Não importa se mora perto, longe, se é bonito, feio, loiro, ruivo alto, baixo, se você conhece pessoalmente ou não. Tudo o que vale é o sentimento que os envolve e une-os.
No caso do amor virtual tem um pouco mais de obstáculos, pois tem a distância e o fato de, no começo, não conhecer essa pessoa, mas se o amor é verdadeiro tudo é possível. Qual amor nunca teve obstáculos? Nenhum. Sabe por quê? É simples, porque sem obstáculos tudo vira monótono e às vezes pode até mesmo afetar o sentimento. Quem é que não gosta de aventuras, de sentir medo para depois sentir alívio, passar horas planejando o próximo encontro ou então imaginando como vai ser quando estiverem realmente juntos, por tempo indeterminado?
Se você gosta desta pessoa, arrisque-se, corra, grite, pule, chore, implore, cometa erros, peça perdão, desculpe, abrace e ame. Viva os momentos em que estiver ao lado dessa pessoa como se fosse a ultima vez em que estariam se vendo.
Eu digo isso porque tenho experiência. Namoro há um ano, um mês e cinco dias, e os primeiros meses em que passei a amá-lo, foram todos virtuais. Eu conversava com ele há quase um ano já e me apaixonei, passava semanas, dias, horas e minutos pensando nele, imaginando como eu reagiria quando realmente o conhecesse, o que ele iria pensar de mim, e o que mais me atormentava era: será que ele vai continuar a gostar de mim quando me conhecer?
Com o tempo, fomos nos conhecendo melhor até chegar o dia em que nos viríamos pela primeira vez. E sabe a pergunta que eu me fazia antes? Então, a resposta é sim, ele iria continuar a gostar de mim. Hoje, quando olho para trás, pensando no que mudaria caso pudesse, eu vejo que não mudaria nada, porque minha vida hoje é como sempre sonhei. O amo cada vez mais, e sinto como se não pudesse viver sem que ele exista.
Então é isso, se você ama alguém, mesmo que seja virtualmente, faça o possível para eternizar esse sentimento, pois quando se trata de amor, tudo vale à pena.


Pauta para o Projeto Bloínquês, 41ª Edição Opinativa: Amor virtual.

4 de janeiro de 2011

Á meu amigo imaginário.

Olá Teddy,
Me peguei sentada atrás do sofá com nossas cartinhas como sempre fazia quando você vinha me visitar, você se lembra? Eu ficava dias sentada ali esperando você chegar para nos divertirmos com suas novas brincadeiras. E quando chegava, eu realmente me emocionava, afinal, você sempre foi meu melhor amigo. As tardes contigo não eram mais tão longas, dávamos muitas risadas e no final eu sempre acabava com o cabelo para o alto.
Nós éramos tão inocentes, crianças felizes, não é verdade? Mas agora me pergunto, onde está você? Será que partiu pelo fato da minha inocência ter se esvaído, dissipado, ou seja qual for a palavra adequada? Estou a alguns meses de completar meus dezessete anos, mas ainda sou aquela criança de seis anos que você conheceu.
Sou aquela menininha assustada, que, mesmo pequena, já tinha problemas demais na família, e que por Deus você apareceu para ajudar, para levar felicidade em meio ao desespero e para amparar e ouvir os desabafos.
Faz sete anos que não olho dentro desses seus olhinhos doces e inocentes. Sinto tanta falta dos seus abraços, da sua risada, dos nossos segredos, brincadeiras e tudo o mais que só nós tínhamos juntos.
Reler aquelas cartas me fizeram perceber que o que eu sentia quando pequena, ainda sinto agora que sou quase uma mulher. Sei que talvez você esteja cuidando e divertindo outras crianças, e isso é maravilhoso, pois eu sei o quanto é ruim não ter alguém para brincar, mas só queria poder te ver novamente. Percebo que por dentro eu sou apenas uma garotinha em busca do seu grande melhor amigo. Gostaria que voltasse a me visitar para que pudesse matar um pouco da saudade, tenho tanta coisa para te contar, são anos de novidades.
Apareça quando quiser e eu estarei aqui sentada, te esperando com bolachas e leite.
Com carinho, sua amiga.

Pauta para Projeto Bloínquês, 25ª Edição Cartas: Amigo Imaginário.

Além da eternidade

Acabei de acordar e me arrumei de um modo que ela sempre dizia que gostava, peguei a chave do carro e fui para sua casa, acordá-la com beijinhos como eu sempre fazia no domingo. No caminho passei na floricultura e comprei flores, rosas vermelhas, que simbolizam ainda mais o amor que sinto, coloquei-as no banco ao lado e continuei o caminho até meu destino.
Era dia 14, fazia exatos um ano e três meses que eu havia pedido ela em namoro e recebi um sim como resposta. Eu estava com saudade, afinal, além de ser nosso aniversário de namoro, tinha mais de uma semana que eu não á via. Tudo o que eu queria era vê-la deitada em sua cama, dormindo linda como sempre, e abraçá-la e beijá-la.
Cada segundo parecia um século, acelerei um pouco mais, agora faltava pouco, eram apenas alguns minutos. Enquanto o tempo não passava e a distância que nos separava diminuía, eu fazia planos para nossas próximas décadas juntos, era tudo tão perfeito, e pensando nisso tudo, cheguei. Estacionei o carro de modo que não ficasse na frente do portão, já que o pai dela não gostava muito quando eu fazia isso, peguei as rosas, abri a porta do carro e fui em direção a casa. Meu coração estava acelerado, até parecia que era o nosso primeiro encontro.
Cumprimentei seus pais e fui ao seu quarto, e como eu imaginava, ela estava ali deitada, dormindo como um anjo. Deixei as flores na mesinha ao lado e sentei na cama, beijando seu rosto e acariciando-a. Ela acordou e me olhou com seus lindos olhos verdes, fitei-os por segundos seguidos, até que ela voltou a fechá-los e abri-los repetidamente. Sentou também e me beijou, disse que iria ao banheiro e que logo voltava, tinha algo sério para falar comigo.
Meus pensamentos dispararam em milhões de assuntos sérios que poderiam ser. E o ruim disso, é que 99% eram somente de coisas horríveis. Será que ela me ama ainda? Será que ela quer terminar comigo? Será que não sou do jeito que ela deseja? Qual o problema? Eu tinha que saber o quanto antes, queria resolver logo.
Fiquei inquieto, sentado em sua cama, até que ela voltou ainda mais linda, porém, com um olhar mais tenso. Percebi na hora que era uma das opções que havia pensado anteriormente.
Ela sentou, olhou fixamente em meus olhos e disse: