14 de janeiro de 2011

Must Have Done Something Right (PARTE I)

Abri os olhos assustada, mais um dia. Olhei para a minha mesinha de cabeceira, para ver as horas, 06:45, domingo. Antes para mim domingo era um dia sagrado, dormir até tarde, não fazer nada, ver ele. Agora? Não passava de mais um simples dia. Levantei fui até o banheiro e me olhei no espelho. Não via nada de mais ali. Uma adolescente, completamente normal, a não ser pelo meu cabelo que eu mesma cortei meio bagunçado eu gostava dele assim, e não ligava para esses negócios de vaidade, eu simplesmente não ligava, principalmente agora. Escovei meus dentes, joguei uma água no rosto, tentando ver se melhorava a minha aparência de zumbi, mas seria meio impossível, afinal havia meses que não sabia o que era ter uma noite de sono, havia meses que eu não sabia o que era fechar os olhos e não ter um pesadelo, havia meses que eu não deixava de pensar nele.
Voltei para o quarto, sentei na cama e olhei para a prateleira, onde tinha três portas retratos, dois era com fotos nossa. Em uma delas estávamos fazendo caretas, o que era comum entre nos dois, na outra eu estava rindo ele me abraçava e tinha um certo brilho nos olhos. A última foto era uma foto só minha, eu não gostava daquela foto, estava dormindo e achava um tanto quando estranha, mas foi ele quem a tirou, ele dizia que eu ficava linda dormindo, dizia que toda a minha braveza, ia embora e dava lugar a “sua princesinha” calma e doce. Por isso a deixei ali, me lembrava ele, não sei talvez isso só me torturasse, essas fotos, as lembranças, mas isso me fazia ter esperanças de que um dia ele me amou.
Levantei, não queria ficar aqui trancada. Fui até o guarda roupa, vesti uma calça jeans, uma blusa qualquer, e meu all star, precisava respirar, precisava sair daqui! Peguei meu moletom, coloquei meu iPhod no bolso e fui para sair, mas quando cheguei na porta, não me aguentei, voltei até a mesinha de cabeceira e peguei o pedaço de papel.
Desci as escadas em silêncio, não queria acordar minha mãe, ela pegava muito no meu pé nesses últimos quatro meses. Ela falava que estava preocupada comigo, até tentou me levar pra fazer compras, imagina eu fazendo compras? Mas eu entendia, afinal ela era mãe. Quando estava quase saindo ouvi um barulho e olhei pra trás, era meu irmão, Mike.

- Aonde você ta indo há essa hora Lizz? – Ele me olhou confuso, estava só com uma calça de moletom e com um copo de água nas mãos.
- Estou saindo, preciso tomar um ar. – Disse e ele me olhou com aquele olhar.
Mike era um irmão perfeito, diferente de outros irmãos, nós não brigávamos. Éramos até unidos demais, ele me contava tudo, e eu contava tudo pra ele. Eu sei às vezes acho isso estranho, pois Mike é só dois anos mais velho que eu, mas eu não sei o que seria de mim sem ele. Era ele que ia ao meu quarto quando eu acordava no meio da noite gritando. Era ele que me abraçava e dizia que tudo iria ficar bem. Era ele o meu melhor amigo.
Ele veio até mim e me abraçou.
- Tudo vai ficar bem maninha. – disse beijando meus cabelos.
- Mike eu não sei o que seria de mim sem você. Mas eu preciso tomar um ar. – Falei dando um beijo em sua bochecha e indo em direção a porta.
- Ok Lizz, mas não demora você sabe como a mamãe fica quando você some.
È eu sabia, ela ficava paranóica quando eu “sumia”. O que acontecia bastante nos últimos quatro meses, mas eu só precisava ficar sozinha.
- Ok, não vou demorar. – disse já com a porta aberta.
- Se cuida maninha. – ele falou começando a subir as escadas. – e eu te amo pirralha.
- Te amo também bundão. – disse já saindo pela calçada.
Bob que estava deitado em sua casinha veio latindo e abanando seu rabo até mim, me abaixei e fiz um carinho entre suas orelhas, era incrível, mas em todos os momentos, não importava meu humor, ele sempre vinha me fazendo carinho, e demonstrando o quanto estava feliz em me ver.
Abri o portão e sai pela rua deserta, também não era de se admirar, domingo e ainda a está hora da manhã. Um vento leve soprou, jogando os cabelos em meus olhos, coloquei o capús e os fones de ouvido, se tinha uma coisa que me acalmaria agora seria a música. Rock era tudo o que eu precisava.
Comecei a andar calmamente, pensando do por que eu tinha feito aquilo. Ok, no começo eu achei que era o certo, eu realmente pensei isso, afinal eu não queria magoá-lo. Mas e agora? Será mesmo que eu fiz a coisa certa? Não, eu passei esses últimos quatro meses tentando mentir pra mim mesma, tentando esconder o que estava claro para todo mundo, mas só eu não enxergada. Na verdade eu não queria enxergar, era isso.
Cheguei ao parque e não tinha quase ninguém ali, algumas crianças corriam pelo gramado e um senhor estava sentado em um banco, com um jornal nas mãos. Coloquei as mãos no bolso, e passei por ali quieta. Ele olhou pra mim e pude ver que ele disse algo, pois seus lábios se mexeram e logo depois ele sorriu não me importei em responder, simplesmente devolvi o sorriso.
Segui de cabeça baixa até a árvore, era aqui que eu gostava de ficar, quieta, sozinha, em paz. A vista era linda, tinha um grande lago e algumas pessoas caminhando em volta, o gramado era tão verde, eu me sentia tão bem aqui... Sabe, eu sempre fui àquela garota quieta, sem muitos amigos, quase não falava com ninguém eu gostava de ficar no meu canto, ouvindo minha música, ou lendo algum livro. Até que ele apareceu. Eu nunca tive um namorado, era tímida. Claro eu já tive alguns rolos... Ta foram só dois, mas nenhum deles chegou perto de se tornar um namoro, nem nada parecido. Até que ele veio até mim...
“- Oi pequena. – ele disse se aproximando de mim.
- Oh, oi Tay. Senta aqui. – disse tirando meus pés do banco e sentando.
Ele me deu um selinho e sentou ao meu lado. Estava estranho, esfregava as mãos e passava elas no cabelo, como ele sempre fazia quando estava nervoso. Será que tinha acontecido alguma coisa?
- Hum, tudo bem? – perguntei, olhando pra ele.
- Sim, claro. Eu só queria te perguntar uma coisa. – ele me olhou, bem no fundo nos meus olhos. Ficamos um tempo assim, só nos olhando. O resto pareceu desaparecer naquele momento, enquanto eu olhava naqueles olhos claros, ele se aproximou um pouco e sorriu.
- Lendo isso de novo? – ele disse quebrando o silêncio e pegando o livro das minhas mãos.
- Hã? – disse com cara de bocó. Balancei a cabeça tentado voltar e respondi – Ah é, não tinha nada para fazer então...
Ele me olhou, com um sorriso lindo em seus lábios e disse:
- É eu sei, você ama esse livro. – Ele folheou o livro e ficou quieto por alguns instantes. Então falei:
-Pois é, a história é ótima. – eu simplesmente amava aquele livro, A Cabana, a história me fascinava, era tão bem escrita e me passava uma verdade incrível. Mas então me lembrei que ele queria perguntar algo.
- Hum você disse que queria me perguntar algo... O que é Tay? – falei, e ele me olhou, sério.
- Pois é Lizzi, a gente já se conhece há algum tempo e... – ele hesitou, sem jeito olhando pra baixo.
- Continue Tay. – disse o encorajando.
- Bem... E a gente já ta ficando há duas semanas então, eu queria... – ele parou de novo, minhas bochechas na hora ficaram vermelhas, isso era meio constrangedor, mas ele continuou – eu queria saber se você quer namorar comigo.
Ele me olhou, sério. Eu paralisei, o ar me faltou e eu não sabia o que dizer. Eu não podia aceitar, não. Eu não queria magoá-lo.
- Na-namorar? – gaguejei meio sem jeito, eu não podia... Eu não tinha certeza.
- É Lizzi, a gente já se conhece há bastante tempo e... Eu amo você. – ele falou, envergonhado, olhando para baixo novamente.
Como? Ele disse que ama? Mas... Mas. Eu não sei se amo ele, eu não posso, não posso fazer isso com ele. Ele levantou a cabeça e me olhou, viu que eu estava confusa. Fiquei um tempo em silêncio, somente pensando no que ele tinha acabado de dizer. Ele me ama? Eu não podia acreditar, eu estava indecisa, eu... Eu...
- Então, você aceitar namorar comigo? – ele disse quebrando o silêncio e agora olhando em meus olhos.
- Olha Tay, eu gosto muito de você, realmente gosto muito, mas... – Ele se levantou rápido me interrompendo:
- Eu já entendi Lizzi. Deixa pra lá. – ele disse já saindo.
- Tay espera... – eu tentei chama-lo, mas ele já estava longe.
Olhei para o livro que a pouco estava em suas mãos, e notei que tinha um papel em cima dele. Desdobrei o papel e nele estava escrito ‘eu te amo, jamais se esqueça disso’.”
Apertei o papel em meu bolso, me lembrava perfeitamente desse dia. Do dia que ele disse que me amava. Do dia em que eu fui uma covarde.


Continua...

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Gente, essa história é de uma amiga minha, Aline. Eu amei a história em si e tudo o mais que há nela, então pedi autorização, já que plágio além de crime, é horrível, e postei aqui para vocês.

4 comentários:

  1. Gostei muito *-* Aguardo a continuação :)

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  2. Ohana, parabéns pra você! Ficaste entre os três melhores da semana na edição Opinativa! Não participei dessa edição, mas fiquei em primeiro lugar nas edições : visual e roteiro. Parabéns pra nós. Seguindo! *-*

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  3. Que lindo!
    Acho que poucas pessoas tem essa habilidade na narração, em descrever os lugares, as sensações.
    Gostei muito. Grande beijo.

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