16 de janeiro de 2011

Must Have Done Something Right (PARTE II)

A primeira parte pode ser encontrada aqui.
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E agora aqui estava eu, sozinha me culpando por algo que eu podia ter evitado. Tirei o papel do meu bolso e pela milésima vez o abri, já estava cheio de marcas e em um dos cantos tinha a marca de uma lágrima minha. Como eu tinha vontade de olhar em seus olhos claros novamente, de ver o jeito que ele passava as mãos no cabelo quando ficava nervoso e o rubor em seu rosto quando ficava envergonhado. Como sentia falta do seu abraço apertado, de como eu me sentia segura ao seu lado, do modo carinhoso como ele segurava a minha mão, do seu beijo doce e calmo, do jeito que ele sussurrava possessivo em meu ouvido “minha pequena, minha Lizz” com aquela voz perfeitamente suave. Do seu sorriso contagiante, do brilho em seus olhos cada vez que eu sentia ciúmes. Como eu sentia falta da sua companhia, das suas palhaçadas para me fazer rir, dos seus planos loucos e da sua paciência comigo. Como eu sentia falta do meu Tayler. Fechei os olhos, me concentrando na música para ver se esquecia tudo isso pelo menos por um instante. Mas para a minha grande surpresa a música que estava tocando era aquela. Aquela que me fazia lembrar ele, que me fazia lembrar do modo que ele entrou em minha vida e deu luz a ela. Me lembrava que eu poderia estar bem agora e com ele.
“If anyone could make me a better person, you could all I gotta say is I must have done something good you came along one day, and you re-arranged my life all I gotta say is I must have done something right, I must have done something right” - Se qualquer pessoa pudesse fazer de mim uma pessoa melhor, seria você. Tudo o que eu tenho a dizer é que eu devo ter feito algo bom, você apareceu pra mim um dia, e re-arrumou a minha vida tudo o que eu tenho a dizer é que eu devo ter feito algo certo. Eu devo ter feito algo certo.
Sim, eu devia ter feito algo certo, mas não fiz.
Tirei os fones, não queria mais ouvir aquilo, não queria... Abri os olhos e olhei ao redor. O parque já estava começando a encher, algumas pessoas andavam calmas, e tinha algumas crianças correndo, e brincando no parquinho que tinha ali perto. Olhei em direção ao grande lago, era tão bonito, e agora a luz do sol refletia na água e deixava tudo isso ainda mais impressionante. Lembrei do dia em que vim aqui com ele, nós parecíamos duas crianças correndo por ai e rindo. Foi no dia em que demos o nosso primeiro beijo...

“- Hey pequena, volta aqui. – ele disse rindo e correndo para me pegar.
Eu já quase não aguentava mais correr, e as risadas também não estavam me ajudando em nada, só tomavam ainda mais o meu fôlego. Olhei para ele, logo atrás de mim e sorri, continuei correndo pelo gramado até chegar a uma árvore. Ele me abraçou por trás e começou a me fazer cócegas, nos derrubando no chão. Eu já não aguentava mais, ele pegou meu ponto fraco.
- Tay pare! – tentei falar em meio às risadas.
- Esse é o castigo por fugir de mim madame. – ele falou, rindo por me ver assim.
- Não! Por favor, senhor me castigue de outro jeito, eu não mereço tal coisa! – disse fazendo um drama, brincando com ele e rindo ainda mais.
Ele parou e me olhou divertido. Seus lindos olhos claros tinham um brilho impressionante que me fascinava cada vez que os olhava. Ele ficou sério de repente e me encarou de um jeito estranho. Confusa olhei pra baixo e percebi o por que disso, quando caímos no chão ele caiu por cima de mim, nossos corpos estavam colados e nossos rostos estávamos próximos um do outro. Olhei para ele novamente e ele sorriu, se aproximando ainda mais de mim, até que seus lábios tocaram os meus.
Aquilo não era como nada no mundo. Fiquei paralisada, não sabia o que fazer direito, então ele apertou seus lábios gentilmente aos meus, tentado aprofundar o beijo, meu cérebro pifou e meu corpo assumiu. Levei as minhas mãos até o seu cabelo o puxando para mais perto e aprofundando o beijo. Ele levou uma de suas mãos até o meu pescoço, fazendo carinho até chegar a minha bochecha. Nossos lábios se emolduravam perfeitamente um no outro e nossas línguas dançavam em um ritmo perfeito. Assim como ele começou, ele terminou o beijo. Tinha esquecido do lugar onde estávamos e corei, olhando confusa para ele.
- O que foi isso? – perguntei envergonhada. Ele olhou para mim, sorriu de um modo travesso, passou a mão de leve sobre minha bochecha corada e disse:
- Seu castigo madame.”
Essa lembrança, aquele primeiro beijo. Agora sim eu percebia que já o amava desde o inicio.
Olhei novamente em direção ao lago e vi um garoto sentado, ali perto. Meu pensamento na hora foi para ele, mas não podia ser. Afinal depois daquele dia não o vi mais e Mike tinha dito que ele foi viajar com os pais dele... Mas era tão parecido, minha mente provavelmente deve estar criando alucinações, daqui um pouco todos os garotos vão estar parecidos com ele, meu Tay. Voltei para a minha bola, o meu casulo, só querendo ter ale aqui perto. Querendo ter seus braços em minha volta.

“And I'm racking my brain for a new improved way to let you know you're more to me than what I know how to say…” - E eu estou torturando o meu cérebro por um novo e melhor jeito de te dizer que você pra mim é mais do que eu sei como dizer...
Apertei mais os olhos e encostei a testa em meus joelhos, só querendo sumir.
- Não chore, eu não gosto de te ver triste.
Levantei o rosto rápido, não acreditando nos meus próprios ouvidos. Como? Ele... Não, mas como isso? Ele sentou ao meu lado, e me olhou. Olhei rápido na direção onde eu tinha visto o garoto e não acreditando, era mesmo ele!
Olhei de volta para o seu rosto, ele me encarou de volta. Percebi que ele estava com a expressão triste, seus olhos estavam um pouco vermelhos e inchados. Ele estava chorando?
- Tay? – disse como se ainda duvidasse que fosse ele.
- Oi minha pequena, não chore mais. – ele disse secando minhas lágrimas com as costas de sua mão.
Olhei para ele ainda confusa, ele estava mesmo aqui comigo? Mas eu ainda não entendia. Por que ele não estava bravo comigo? Por que ele não brigava comigo? Afinal eu o tinha magoado.
- Por que... – tentei falar, mas ele me interrompeu e disse:
- Shii, não se preocupe com isso. Nós ainda somos amigos. - ah, legal agora ele lia mentes.
Olhei em seus olhos, e me perdi naquela imensidão que eu não sabia dizer se era azul ou verde, talvez um pouco dos dois. Meu cérebro dava voltas, eu não sabia o que fazer primeiro. Eu não sabia se o abraçava para tentar matar a saudades. Eu não sabia se me desculpava por ter sido a garota mais idiota do mundo, ou se dizia que o amava.
Segundo Mike ele não tinha se envolvido com mais nenhuma garota nesses últimos quatro meses, sim eles eram amigos. Foi assim que o conheci.
Eu não sabia direito o que fazer ou dizer, ele deu um leve sorriso o que deixou seus olhos ainda mais tristes. Passei a mão de leve sobre as manchas roxas embaixo de seus olhos vermelhos e disse:
- Você também chorou.
Ele me encarou meio espantado por um instante, mais logo voltou ao normal e falou:
- Não é nada.
Eu olhei séria para ele e decidida do que dizer.
- Sim, isso é. Olha Tay eu lhe devo desculpas, sei que fui à pessoa mais idiota do mundo fazendo aquilo com você, eu sei que te magoei, e sei que talvez você esteja com raiva de mim. Mas, me desculpe. Eu sei que isso não vai fazer diferença alguma, o erro já foi feito. Mas eu sofri também. Esses últimos quatro meses foram os piores de todos, eu não sabia o que fazer direito e como agir, senti e sinto ainda saudades imensa de você. Do modo que você me abraçava, de como você me olhava carinhoso e sorria. Sinta falta da sua companhia, dos seus beijos, dos seus carinhos. Sinto falta de tudo. E eu só queria... – Parei tentando me controlar eu estava a ponto de explodir, as lágrimas já desciam pelo meu rosto e o papel que ainda estava na minha mão já estava amassado, guardei-o no bolso novamente, não queria destruí-lo nem nada. Respirei fundo e continuei – Eu só queria te dizer que eu te amo. Talvez seja tarde demais para eu te dizer isso, talvez você não me ame mais, mas eu preciso dizer, você precisa saber que eu te amo desde aquele primeiro beijo você se lembra? Foi aqui nessa árvore. Eu te amo e só não aceitei namorar com você de inicio por que eu ainda não tinha enxergado isso certo e tinha medo de te magoar. Mas agora eu sei! Esse tempo me mostrou que eu te amo demais, e eu ainda nem sei dizer como. Eu sei que as minhas desculpas de nada valem agora. Mas é só o que eu posso fazer. Me desculpe.
Fiquei em silêncio ainda com olhos baixo, tinha medo da reação dele, eu tinha medo de olhar em seus lindos olhos claros.
Alguns segundos se passaram e o silêncio dele estava me deixando nervosa. Finalmente levantei os olhos para ele. Ele estava parado, com um sorriso bobo enorme na cara, olhando para o nada. Confusa eu perguntei:
- Tay? Você ..- Mas não consegui falar, por que no instante seguinte seus lábios estavam sobre os meus, urgentes, mas assim doce e suave. Levei minha mão até a sua nuca e o apertei mais contra mim, ele levou uma de suas mãos até a minha bochecha, fazendo carinho nela. O beijo terminou calmo e ele me abraçou apertado e disse em meu ouvido:
- Eu te amo Lizzi, e sim meu amor eu te desculpo por tudo. – ele fez carinho no meu cabelo e disse – Senti tanto a sua falta.
- Oh Tay, você não sabe como é bom ouvir isso de você. Eu... Eu não sei mais viver longe de você. Só queria ... – ele me interrompeu me soltou e olhou em meus olhos.
- Lizzi posso te fazer uma pergunta? – ele disse meio confuso, e continuou sem a minha resposta – Você aceita ser a minha namorada?
Sorri de um modo bobo, e respondi:
- Sim meu príncipe.
Ele me olhou radiante tocando seus lábios ao meu novamente e nos derrubando no chão. Ri ainda com nossos lábios colados. Ele levantou um pouco a cabeça.
- Hum, a madame fez uma escolha muita boa. – ele disse me dando um beijo leve na ponta do nariz. Sorri e falei:
- Sim eu fiz meu senhor. – ele sorriu e me encarou. Olhei sério para ele – Eu te amo Tayler Matt Smith.
Ele me encarou, e um enorme sorriso apareceu em seu rosto.
- Eu te amo Elizabeth Gilbert.
Sorri e pensei sim, eu devo ter feito algo certo.

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