15 de janeiro de 2011

Thinking of You. (Parte II)

A primeira parte da história pode ser encontrada aqui.
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Cinco anos se passaram e aqui estou eu, sentada na árvore perto do rio, observando Tom e Charlie brincar como duas crianças. Desde o dia em que se conheceram, é como se tivesse um elo mais que emocional entre eles. E acho que estou esquecendo de dizer algo, você deve estar confuso não é verdade? Mas então, Tom e eu estamos vivendo juntos desde o dia em que dei uma chance a ele... quer dizer, uma chance a mim.
Confesso que no dia em que deixei que ele me amasse e tentasse consertar o estrago que havia dentro de mim, eu não acreditei muito que ele fosse capaz, mas agora estou aqui, uma nova mulher com um novo coração e uma nova vida.
Tom é realmente um cara incrível, soube ser paciente quando as lembranças de Charlie me atordoavam, cuidava de mim quando estava acabada, fazia palhaçadas para me alegrar, curou as feridas do meu coração e o conquistou, tomando-o somente para ele.
Depois de um ano eu já podia dizer que o amava quase cegamente, e então na manhã em que completávamos um ano de namoro ele me acordou com beijinhos. Abri os olhos e vi que ele estava com uma bandeja nas mãos, isso era normal já que sempre me acordava assim, me sentei, dando espaço para que ele sentasse ao meu lado, e ele colocou a bandeja sobre minhas pernas, e me deu um beijo demorado.
Olhei em seus lindos olhos azuis e falei: “Bom dia meu amor, como está?” Ele sorriu para mim e respondeu: “Estou maravilhosamente bem, afinal, um ano não é Amy?” Seus olhos brilharam ao pronunciar o tempo de nosso namoro, e me senti extremamente bem, pois havia conseguido amar novamente e me sentia feliz.
Ele pegou minhas mãos, olhou fundo em meus olhos e falou: “Você deve estar com fome, hora do café da manhã.” Foi como se meu estômago estivesse reagido àquelas palavras, porque na mesma hora senti uma vontade louca de comer. Mas era uma vontade diferente, era exasperada, eu queria muito comer. Soltei suas mãos para poder comer e percebi que hoje tinha algo diferente, a comida estava tampada. Bom, isso não importava, eu estava com fome. Peguei o copo de suco e tomei um pequeno gole, era de abacaxi, meu preferido. Coloquei a mão na tampa e retirei-a.

Fiquei olhando incrédula, não havia comida alguma ali, tinha uma caixinha preta bordada. Na mesma hora minhas mãos começaram a tremer, eu tinha uma grande idéia do que significava aquilo. Olhei para ele procurando respostas, mas só pude ver expectativa em seus olhos e um sorriso lindo em sua boca. Ele olhou em meus olhos, assentiu e me perguntou:
- Amy, você é a mulher dos meus sonhos, àquela com quem eu quero passar todos os dias da minha vida. Eu te amo meu amor. E... você aceita ser minha esposa?
Meus olhos se encheram de lágrimas e meu coração disparou. Uma segunda vez em minha vida eu estava sentindo essa mesma emoção, a de ser pedida em casamento, e mesmo para uma segunda vez, era completamente bom. Eu estava feliz, alegre e cheia de amor. Eu queria tentar ser a pessoa mais romântica naquela hora, mas o que saiu foi isso:
- Tom, eu te amo tanto, eu quero sim passar o resto da minha vida ao seu... – não consegui terminar minha frase porque naquele momento senti tudo o que eu não havia comido subir por minha garganta me fazendo correr para o banheiro e vomitar.
Devo ter ficado durante minutos no banheiro, porque Tom veio atrás de mim perguntando se eu estava bem, mas tudo o que pude fazer foi olhar para ele, com lágrimas nos olhos por estar vomitando, e voltar à cabeça em direção ao vaso.
Ele correu até a mesinha ao lado da cama e trouxe água para acalmar um pouco aquilo tudo. Tomei e senti um grande alívio, mas era apenas momentaneamente, pois passado algum tempo voltei ao mesmo estado. Tom estava muito preocupado. Pegou-me no colo e me levou ao carro para que eu me consultasse com o médico da cidade.
Chegamos ao consultório do Dr. Augusto em menos de vinte minutos, sendo que o normal é chegar em meia hora. Tom parecia estar bastante assustado, mas eu falei para ele que eu estava bem e que não era nada, porém, depois de alguns exames a que fui obrigada a fazer, o médico veio e nos disse:
- Sr. Tomas e Sra. Amy, meus parabéns. Qual o nome do garotão?
- Ga- ga- garotão? – perguntei, gaguejando.
- Sim, senhora. Os senhores não sabiam da gravidez, certo?
- N-Nós não sabíamos. – confessei
E é somente essa parte da conversa que ainda guardo, porque depois das palavras do médico, Tom me pegou no colo e me rodopiou todo alegre. Eu ainda tentava organizar meus pensamentos. Eu descobri que estava grávida logo após de ser pedida em casamento. Era muita felicidade para um coração só.
Nosso casamento foi dois meses depois do pedido já que minha barriga estava crescendo rapidamente, quatro meses já. Foi uma festa só para amigos, nada muito grande. Foi uma sugestão de Tom ser algo mais simples e eu concordei, também pelo fato de ter tão pouco tempo para organizar.
Tom e eu passávamos bastante tempo conversando sobre o futuro de nossa família e escolhendo um nome para nosso lindo bebezinho, mas nunca saía nada. Quando eu gostava de um nome ele não gostava, e vice e versa.
Foi num dia em que estávamos tomando banho no rio, como eu fazia com meu ex-marido, que Tom teve a idéia para o nome. Eu já estava de oito meses. Dentro da água ele me abraçou e disse em meu ouvido:
- Nosso pequeno garotinho irá se chamar Charlie. É o nome de um grande homem, e espero que esse menino lindo aqui – ele disse, passando a mão em minha barriga, - seja também uma grande pessoa.
Naquele tempo eu estava ainda mais sentimental, e as palavras de Tom me fizeram ficar muito emocionada. Ele não culpava Charlie por nada, mas afinal, ele não teve culpa.
Não lembro muito bem do dia em Charlie nasceu. Lembro somente de ser carregadas as pressas para o hospital, de estar deitada na maca com Tom segurando minha mão, de ouvir os médicos dizendo que tudo iria ficar bem, de ouvir gritos e choros, e de ter Charlie em meus braços.
Outra coisa que me lembro perfeitamente é de ver Tom sentado ao meu lado com Charlie no colo, beijando-o e dizendo coisas do tipo: “Meu grande garotão, você conseguiu”, “Papai te ama muito.” Senti-me orgulhosa de o ver demonstrando tanto amor e carinho por nosso filho, e a partir desse dia, é como se eles fossem uma única pessoa. Fazem tudo juntos e são completamente unidos.
E sentada aqui nesse momento, os vendo brincarem, comecei a comparar as semelhanças entre meu ex-Charlie, Tom e meu pequeno Charlie. Eles são incrivelmente parecidos: olhos azuis, cabelos castanhos num tom entre o claro e o escuro, sorriso sincero e até infantil, e gestos de heróis. Se eu não os conhecesse, diria que são todos irmãos.
Não tinha muito tempo agora, Charlie acabava de chamar Tom para me carregar e jogar-me na água, então o melhor que eu podia fazer era correr, mesmo sabendo que eles eram mais rápidos que eu. Tom me agarrou, me derrubou no chão gentilmente e logo Charlie pulou sentando em cima de mim, me fazendo cócegas. Era inevitável, comecei a rir.
Tom olhava rindo e incentivando Charlie "vamos campeão, você vai ganhar da mamãe." Consegui me virar, e comecei a fazer cócegas em Charlie, ele começou a rir. Ouvir sua risada era maravilhoso. Ele olhava para Tom e dizia "papai, me ajuda." Tom somente ria. Libertei Charlie e ele saiu correndo em direção ao rio. Sentei e olhei para Tom ao meu lado, com um sorriso lindo em seus lábios.
Eu sou a mulher mais feliz do mundo com meu marido, minha luz, meu novo coração e meu Tom. Sorri para ele também, ele passou a mão em minha bochecha de leve e me deu um beijo doce. Abraçou-me e disse:
- Está feliz querida?
Olhei para ele dei um sorriso enorme e respondi:
- Sim, muito feliz Tom. Como não estaria? Eu tenho o melhor filho do mundo, uma casa linda, e tenho ao meu lado o homem mais maravilhoso de todos, tem como não estar feliz? – disse, e vi seus olhos marejados de lágrimas.
- Oh meu amor! - Ele disse me abraçando novamente.
- Eu te amo meu amor, muito. – disse a ele e era verdade.
- Eu também te amo, Amy. – ele falou e deu um beijo em minha bochecha. – Minha Amy.
- Você foi a melhor coisa que apareceu em minha vida. – disse, e nos beijamos novamente.
Nesse segundo Charlie pulou em cima de nós, nos separando e nos fazendo rir, logo em seguida ele saiu correndo e gritando “Vamos papai, vamos mamãe. Vocês não conseguem me pegar.” Ele sorria todo feliz. Olhei para Tom, ele levantou me dando a mão e me ajudando a levantar e saímos correndo atrás de nosso filho.
Ficamos assim, brincando e rindo, a maior parte da tarde e agora sim eu tinha certeza, meu coração estava curado. Mas é claro que meu ex-Charlie sempre teria um lugar especial em meu coração, só agora ele pertencia inteiramente ao meu Tom.

Continua...
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Queria agradecer a minha amiga Aline por me dar uma força no fim da história, que foi a pior parte, e agradecer aos meus leitores (ospoucosquetenho) por terem paciência para ler coisas tão grandes.

3 comentários:

  1. Como assim? Não me diz que acabou? Eu quero ler mais, não importa se é grande ou pequeno...
    Ah, vai, por favor, põe a cabeça pra funcionar e escreve mais um capítulo... mimimi .-.
    Eu amei essa historinha e me deixou com carinha de "quero mais" rs
    Aliás, não sei quando vou postar o próximo capítulo da fic, mas vai ser em breve, porque já está prontinho :D e obrigada por ter lido (:
    Bjknhs :*

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  2. li a primeira parte inteira, e agora a segunda... sinceramente?
    tá maravilhoso!
    meu olho encheu de lágrima quando acabei de ler ÇÇ'
    Ta perfeito! Muito mesmo!
    Parabéns *-*

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  3. linda linda linda amiga *-* fiquei com a música na cabeça enquanto lia.

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