17 de janeiro de 2011

Thinking of You. (Parte III)

Você pode ler também a primeira e a segunda parte.
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Eu penso seriamente que devo ter feito algo cruel em outras vidas para merecer sofrer tanto dessa forma. Primeiro meu irmão, Max, depois meu marido, ex-Charlie, e agora meu filho? O que mais a morte quer? Minha vida já está quase acabada.
Ver Charlie cair e ter uma espécie de convulsão me fez lembrar o dia em que o mesmo aconteceu com meu irmão. Entrei em transe lembrando como tudo aconteceu:
“Eu tinha dez anos e Max era o irmão mais velho super protetor, tinha três anos a mais, e Jane a caçula com oito anos. Num dia de domingo papai nos acordou bem cedo para irmos ao campo próximo de casa jogar beisebol. Arrumei-me e depois fiz o mesmo com Jane. Esperamos que Max colocasse o uniforme e fomos para o campo.
“Assim que chegamos vi Max correr para o centro do campo, então puxei Jane pelo braço e obriguei-a a sentar ao meu lado. Ele era o melhor jogador de beisebol que eu conhecia, e valia a pena ver cada lance do jogo.
“Max pegou o taco de beisebol e papai com a bolinha. Papai arremessava bem, mas Max, como sempre fazia, foi incrível rebatendo e fazendo a bolinha sumir atrás das árvores. Ele soltou o taco e correu até a próxima base, só que antes que pudesse chegar ele caiu. De longe eu gritava: “Anda Max, levanta, papai vai ganhar!”
“Ele não respondeu, mas também não levantou. Estava se debatendo no chão. Percebi que algo estava errado e saí correndo ver se ele precisava de ajuda. Ajoelhei-me ao seu lado e vi que estava revirando os olhos. Ele não estava nada bem. Apertei sua mão, olhei para Jane e gritei: “Corra Jane, chame papai agora.”
“Não sabia o que estava acontecendo, mas sentia que era algo muito ruim. Pude ouvir ao longe Jane chamando papai e segundos depois senti sua mão me puxando para longe e pegando Max no colo. Ele olhou para mim e falou: “Amy querida, pegue as coisas e corra para o carro com Jane, teremos de ir ao hospital.”
“Chamei Jane, peguei minha blusa que estava no banco da arquibancada e fui para o carro. Papai já havia deitado Max no banco de trás, e pediu para que eu fosse ao lado dele caso acontecesse algo, e foi o que fiz. Durante o caminho até o hospital, que foi bem curto para dizer a verdade, eu tentava pensar em uma maneira de fazer Max melhorar, mesmo não tendo idéia do que ele tinha.
“Quando chegamos, tudo o que vi foi um monte de enfermeiros colocarem Max numa maca e levarem-no correndo para dentro. Eu queria correr junto com eles, ficar de mãos dadas com Max e o fazer ficar bem. Era tudo o que eu queria fazer, mas quando tentei ir atrás deles, um homem alto vestido como policial não me deixou passar, disse que eu não era grande o suficiente. Olhei para ele incrédula e irritada então mostrei a língua, passei por baixo de suas pernas e corri.

“No fim do corredor eu pude ver os médicos ainda levando a maca. Eu estava perto do meu irmão, e era lá que eu tinha que ficar. Parei para ver onde é que iriam levá-lo, então mãos me agarram por trás e me tiraram do chão. Olhei para trás e vi que era o homem vestido de policial, e comecei a chutá-lo, numa tentativa frustrada de machucá-lo e conseguir me livrar daquele monstro.
“Ele me levou até a sala de espera e disse que ficaria de olho em mim. Fiz cara feia para ele e virei o rosto, emburrada. Meu pai veio após alguns segundos junto com Jane, e sentou ao meu lado. Ele passou a mão em meus cabelos e falou: “Não se preocupe meu bem, Max vai ficar bem, eu sei disso.” Mas algo dentro de mim sabia que papai estava mentindo. Max não estava bem, eu sabia disso. Olhei nos olhos de papai e falei: “Papai, não precisa mentir pra mim. Eu sinto que ele não está bem. O que ele tem?” Ele me olhou assustado pela forma com que falei e ficou quieto, mas depois de quase um segundo ele voltou a falar: “Eu não sei. Eu não sei Amy, mesmo.”
“Lágrimas escorriam por meu rosto. Algo lá no fundo, dentro de mim, dizia que Max não iria sair de lá correndo e vir me abraçar. Eu não poderia mais brincar com ele, nem dormir em seu quarto quando tivesse mais pesadelos. Eu estaria sozinha sem ele. Meus pensamentos faziam da minha cabeça algo perigoso, cheguei a pensar em me vestir de médica e ir até o quarto em que ele estava, como nos filmes que eu via com Max, mas eu era realmente muito pequena, não conseguiria me disfarçar de médica.
“Não demorou muito para um médico vir falar com papai. Ele era alto e parecia ter uns vinte anos, estava com um caderno na mão e uma caneta. Ele olhou para mim, depois para Jane, e finalmente para papai, e então perguntou: “O senhor é Josh Campbell?” Papai assentiu, e perguntou o que tinha de errado com Max. O médico, Dr. Augusto, fez uma cara estranha, e pediu para conversar com papai sozinho.
“Tive vontade de ir junto, mas papai pediu para que eu ficasse e cuidasse de Jane. Ele demorou um tempo para voltar, e quando olhei para ele, parecia estar mais branco. Perguntei o que o médico havia dito só que ele não me respondeu. Fiquei perguntando isso repetidamente, até perceber que cada vez ele ficava mais branco. Mudei um pouco a pergunta: “Papai, você está bem?” Ele sorriu para mim, mas não era um sorriso normal, não tinha alegria em seu sorriso. Ele assentiu e disse que queria me contar algo.
“Fiquei em silêncio esperando que ele começasse a falar, e então ele disse:
- Querida, você terá de ser muito forte. Eu confio em você e... você merece saber.
- Me diga papai, estou ouvindo.
- Amy, meu amor, Max, o seu irmão, ele está muito, muito doente – ele falou, mas não era muita novidade, porque se Max estava num hospital é porque estava doente, mas deixei que ele continuasse. – Mas não é como na vez em que ele ficou gripado no inverno, dessa vez é mais sério.
- Papai, me conta logo, o que o Max tem? – perguntei, com medo de saber a resposta.
- Max precisa de um coração novo minha querida, e segundo o Dr. Augusto, não tem nenhum que fique bom nele.
“Saí correndo ao ouvir ao ultimas palavras de papai, ‘não tem nenhum que fique bom nele’. Se não tinha nenhum que ficava bom queria dizer que Max iria ficar sem coração. Então... Max iria morrer. E aquela coisa dentro de mim me dizia que eu não podia fazer nada. Só que eu não podia simplesmente deixar meu irmão morrer.
“Lembrei da idéia de me vestir de médica e foi exatamente isso o que fiz. Entrei no vestiário e procurei o menor uniforme que tinha, vesti-me e fui em direção ao quarto em que estava Max. Não tinha ninguém no quarto além dele, e era bom sinal. Abri a porta e sentei-me na cadeira ao seu lado, peguei sua mão e olhei em seu rosto. Estava cheio de fios pelo corpo e uma máscara em seu rosto, com aquelas que se usa para fazer inalação.
“Aproximei-me de seu ouvido e disse, sem esperar resposta:
- Max, eu sei que você precisa de um coração novo, mas eu não sei como vou fazer para te dar o meu. Papai iria brigar comigo se eu fizesse isso. Mas eu não posso deixar você sem coração... Se você ficar sem um, com quem eu vou brincar? A Jane não é tão legal quanto você, e... eu te amo muito sabia Max? – falei abaixando a cabeça, pois as lágrimas voltaram a cair de meus olhos.
- A-Amy? E-eu também t-te amo – olhei surpresa, Max não estava dormindo, ele me ouvia e... ele falava comigo. Ele me amava também.
- Fique bem quietinho Max, eu vou procurar um coração pra você.
“Abri uma gaveta que tinha numa mesa ali perto e procurei desesperadamente por um coração, mas não encontrei nada além de papéis. Então olhei decepcionada e perguntei:
- Max, você vai ficar bravo comigo por eu não ter encontrado um coração?
- N-não Amy, eu n-não vou. Eu quero q-que você saiba m-minha princesinha que v-você sempre vai s-ser minha favorita, t-tá bem? – ele falou, e percebi que em seus olhos também havia lágrimas.
“Eu queria muito poder abraçá-lo e tirá-lo dali, mas na hora em que estava pensando em como fazer isso a porta atrás de mim abriu, e era o Dr. Augusto. Tive raiva dele, queria derrubá-lo no chão e puxar seu cabelo, como fazia quando Max ou Jane me irritava, mas se eu fizesse isso acho que o homem vestido de policial iria me prender.
“Olhei para o médico e falei: “Eu odeio você, como pode não ter um coração ali na gaveta?” depois me virei para Max, disse que o amava e saí do quarto, batendo a porta bem forte. Corri pelo corredor querendo sair daquele hospital o mais rápido que eu pudesse, mas quando estava quase chegando a porta papai veio correndo e me abraçou. Então falei:
- Papai, eu procurei um coração lá na gaveta, mas não tinha nenhum. Max vai morrer papai, e a culpa é minha. Eu não achei um coração – eu chorava tanto que acabei molhando a camisa dele.
- Amy, nós não podemos fazer nada. A culpa não é sua.
“De repente o médico veio correndo na nossa direção com dois enfermeiros do lado. Ele olhava dentro dos olhos de papai, e então ele falou: “Seu filho, Max Campbell, ele sofreu outra convulsão, só que desta vez não pudemos fazer nada.
“Fechei-me em meu mundo a partir do momento que ouvi aquelas palavras. Lembro que quando cheguei em casa corri para meu quarto e fiquei trancada até o dia do enterro de Max. No tempo em que fiquei trancada, fiz vários desenhos nos quais eu e Max andávamos e brincávamos. Revirei gavetas e tudo o mais que tinha no quarto, pois lembrei que uma vez Max me deu seu coração, e agora eu tinha que procurar para devolvê-lo.
“Papai podia não acreditar, mas a culpa era minha. Há algum tempo atrás, antes de Max morrer, ela tinha me dado seu coração. Era vermelho, parecia uma pedra. E era muito lindo. Encontrei-o numa das gavetas do guarda-roupa, coloquei-o no bolso da blusa e saí.
“Fomos para o cemitério, e na hora em que o padre começou a rezar, eu fechei os olhos e disse para Max:
- Estou lhe devolvendo agora o seu coração. Você vai precisar dele Max. Mas dentro dele tem muito do amor que eu sinto, e espero que você esteja bem. Eu amo você Max.”
Acordei do transe com um grito de Tom:
- Amy, corre e pegue as chaves do carro, temos que levar Charlie ao hospital agora!

Continua...


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Mais uma vez gostaria de agradecer a todos por tudo, graças a vocês resolvi continuar a história. Sei que ficou mais dramático agora, mas confesso que vocês terão um final bom.

6 comentários:

  1. amei a sua postagem ! amei muito o seu blog , as imagens das postagens . ta de parabéns !

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  2. Conheci seu blog pela comunidade do orkut Blóinques, adorei muito seu blog, muito bacana mesmo, criei o meu hoje, e ainda estou meio perdida, mas parabéns seu blog é lindo!!!

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  3. Nossa, chorei muito com esse texto, muito mesmo... Você escreve muito bem, parabéns...
    Estou lhe seguindo.
    Bjo!(:

    http://miasamarah.blogspot.com/

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  4. Obrigada pelo selo, logo logo volto para levá-lo. :) Beijoos e volte sempre.
    Mandy

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  5. Que texto lindo Jéss,gostei dele de verdade.
    Seu blog é lindo e cada vez que venho aqui gosto mais.
    Beijos ;*
    http://truthsofaheart.blogspot.com/

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