19 de janeiro de 2011

Thinking of You. (Parte IV)

Primeira - Segunda - Terceira partes.
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- Amy, corre! – gritou Tom.
- Tom – falei, com lágrimas nos olhos, - ele vai precisar de um coração, eu sei.
- Não Amy – ele falou. – Agora corra!
Nessa hora fui tomada pela adrenalina, fazendo com que minhas pernas se movimentassem numa velocidade surpreendente. Peguei minha bolsa no banco e as chaves do carro.
Charlie estava deitado no banco de trás assim como Max, tempos atrás. Olhei para Tom e disse que eu iria ao lado de Charlie, caso ele precisasse de alguma coisa.
Chegamos rapidamente ao hospital e tudo aconteceu da mesma forma de anos antes: os enfermeiros chegaram correndo, colocaram Charlie numa maca e o levaram para dentro. Eu sabia que não iria dar certo correr atrás dele porque dessa vez eu era a responsável, teria que assinar alguns papéis e cuidar para que o hospital pudesse fazer o melhor para ele.
Sabia também que ele iria precisar de um coração e que não teria nenhum na gaveta esperando ser encontrado. Teria que haver algum doador com sangue compatível, e de preferência, que esteja morto. Eu não poderia salvá-lo, nosso sangue era diferente, então eu não tinha muito que fazer.
Cada minuto que se passava, meu coração sofria ainda mais, parecia que iria sair correndo a qualquer hora. Tudo estava se passando em câmera lenta, e as notícias não vinham nunca. Eu precisava saber logo o que meu garotinho tinha.
O médico veio em minha direção com um caderno, perguntou se eu era mãe do Charlie e respondi que sim, então ele disse: ”Seu filho vai precisar de um novo coração.” Só não senti o mundo sob meus pés desabar porque já sabia da grande possibilidade disto acontecer, mas ainda tinha a esperança de que não acontecesse.
Tom me abraçou e disse que tudo ficaria bem. Perguntou ao médico se já tinha algum coração disponível, mas infelizmente o Dr. Augusto disse que o sangue de Charlie é muito raro.
Eu daria tudo naquele momento para ser compatível com ele, mas não estava ao meu alcance. Eu morria aos poucos sabendo que meu filho tinha poucos dias de vida. Pedi ao médico para poder ver Charlie, e ele deixou. Fui até o quarto, ele estava deitado com muitos fios pelo corpo, como Max. Dei um beijo em seu rosto e falei:
- Charlie, vai ficar tudo bem. Mamãe vai cuidar de tudo está bem? Logo você vai voltar para casa para brincarmos como antes. E não se preocupe, mamãe vai estar aqui ao seu lado. Eu amo você meu querido.
Eu não podia suportar, meu coração sentia uma dor imensa em vê-lo deitado, com aparelhos ligados ao corpo.

- Mamãe, cadê o papai? – ele perguntou.
- Papai está lá fora meu amor, quer que eu o chame?
Ele balançou a cabeça positivamente, em resposta. Saí do quarto e fui até a recepção do hospital, onde Tom estava, e disse que Charlie queria vê-lo. Tom me abraçou novamente e me deu um beijo na bochecha, passou a mão por minha cintura e levou-me junto ao quarto.
Charlie ainda estava deitado, me aproximei e passei a mão por seu rosto, ele estava muito quente, provavelmente estava com febre. Tom se aproximou também, disse em meu ouvido para que eu sentasse e descansasse. Sentei na cadeira ao lado da cama e fiquei olhando para Tom. Ele pegou a mão de Charlie e perguntou:
- Você está bem campeão?
- Estou papai. Só um pouco cansado.
- Você tem que descansar Charlie, o papai vai cuidar de tudo para você ficar melhor.
- Papai, você vai cuidar da mamãe?
- Claro meu amor, eu vou cuidar dela sim, e de você também. Agora é melhor você dormir um pouco, deve estar muito cansado.
- Tá bem papai.
Tom se aproximou e deu um beijo em seu rosto, então disse: “Papai te ama.”
Charlie fechou os olhos, e parecia que já havia pegado no sono. Ficamos todos quietos por algum tempo, até Tom vir até meu lado e pedir para que eu ligasse e contasse o que aconteceu para Jane. Saí do quarto em direção ao lado de fora do hospital, onde estivesse mais calmo, e liguei para Jane. Contei com todos os detalhes, e pedi para que viesse logo. E dez minutos depois lá estava ela, ao meu lado.
- Amy, como está o Charlie? – ela perguntou.
- Está bem. Tom conseguiu o fazer dormir.
- Isso me lembra de Max – ela disse, com um olhar triste.
- É, a mim também. Eu queria poder fazer algo, mas meu sangue não é compatível.
- Amy, eu posso ajudá-lo – ela falou, pensativa.
- Como Jane? Você teria que... Não Jane, você não pode fazer isso – falei ao perceber o que ele pretendia fazer.
- Eu posso sim Amy. Vai ser como estar ajudando Max. Sabe, eu sofri tanto quanto você naquela época, e já que agora eu tenho a opção de ajuda, é o que quero fazer – ela dizia, tentando me convencer. – Nós somos compatíveis, e eu posso sim ajudar. Minha irmã me deixe salvar a vida dele, me deixe salvar a sua.
- Não Jane, você não pode fazer isso.
- Amy, você tem uma família, tem marido, filho e uma vida feliz. Eu só tenho você e Charlie. Vai ser o melhor a fazer, é o que eu quero Amy, eu vou fazer isso.
- Jane... Eu te amo.
- Eu também te amo Amy, e amo a Charlie. Agora eu quero me despedir dele, posso?
- Ãhn, claro.
Ela me abraçou bem apertado e saiu. Fiquei do lado de fora do hospital, minhas pernas tremiam. A pessoa que eu sempre ignorei e desprezei quando era menor estava agora dando sua vida para salvar a minha. Como eu pude ser tão mal assim? Como pude ser tão egoísta, pensando nos meus problemas e no meu sofrimento enquanto Jane também sofria. Eu precisava dizer que a amava, precisava me desculpar. Entrei no hospital, e fui em direção ao quarto em que Charlie estava. Jane estava conversando com ele.
- Charlie, você promete para a titia que vai cuidar dos seus pais se eu não estiver por perto?
- Claro tia Jan, eu vou cuidar deles. Mas, para onde você vai?
- Eu vou procurar um coração pra você meu amor – ela falou, e percebi pela sua voz que estava prestes a chorar.
- Boa sorte tia. Vê se não demora tá?
- Não vou demorar não Charlie. E seja bonzinho. Titia te ama muito.
- Eu também amo você tia Jan.
Ela deu um beijo em seu rosto e saiu da sala. Assim que me vi, secou as lagrimas do rosto e me abraçou.
- Jane, eu queria me desculpar por todos esses anos em que fui egoísta, em que não me preocupei com você, em que te fiz mal. Eu queria me desculpar por tudo. E queria agradecer por estar fazendo isso por mim. Eu te amo muito Jan, muito mesmo – as lágrimas caíam de meus olhos, abracei-a com mais força e ela fez o mesmo.
Só nos soltamos quando Tom chegou com o médico. Jane disse que precisava falar com o doutor, me deixando com Tom. Contei a ele a decisão de Jane. Pude ver que ele estava chocado, mas ao mesmo tempo agradecido. Abracei Tom com muita força, eu ainda chorava. Ele disse em meu ouvido para não me preocupar que tudo daria certo, que fora uma escolha da Jane e não podíamos fazer nada.
Depois de algum tempo Jane voltou com o doutor para se despedir. Eu disse que iria sentir sua falta, então ela olhou em meus olhos e falou: “Toda vez que você olhar para Charlie irá se lembrar de mim. Agora mais que nunca você vai ter um pedaço meu com você.” Eu assenti e a abracei bem forte, até o doutor chamar Jane, dizendo que era a hora.
Não lembro o que aconteceu depois, não sei quanto tempo se passou, só lembro que eu estava nos braços de Tom, e o doutor chegou dizendo que nosso Charlie estava salvo. Senti uma felicidade enorme, mas ao mesmo tempo uma tristeza. Charlie estava bem, não corria riscos, mas Jane estava morta. Comecei a chorar, mas lembrei então das ultimas palavras dela “você vai ter um pedaço meu com você.” Eu não podia decepcioná-la.
Fui até o quarto de Charlie, um enfermeiro estava ouvindo seu coração, então sentei na cadeira e esperei até ficar sozinha com ele. Assim que o enfermeiro saiu, eu fui até Charlie, peguei sua mão e perguntei:
- Você está bem meu amor?
- Estou muito melhor mamãe. Já podemos voltar a jogar?
- Ainda não Charlie, você terá que ficar descansando em casa por algum tempo.
- Mas ficar deitado é chato mamãe, eu quero brincar.
- Eu prometo que assim que você estiver melhor eu irei levar você para jogar boliche, o que me diz?
- Eu vou melhorar logo, você vai ver – ele sorriu, me fazendo lembrar Jane. – Mamãe? A tia Jan conseguiu um coração pra mim?
- Sim meu amor, ela encontrou.
- E onde ela está?
- Ela foi viajar, e logo estará de volta.
- Mamãe, pede para ela vir ver a gente quando voltar?
- Claro meu amor, eu peço. Agora mamãe tem que ir – falei, percebendo que iria começar a chorar em breve.
Saí do quarto e vi que Tom me esperava, abracei-o e deixei as lágrimas caírem. Ele disse que já estava na hora de irmos para casa, Charlie já havia recebido alta.
Quando chegamos, a primeira coisa que Charlie quis fazer foi ir para o quarto, deitar e ver televisão. Disse que assim ele iria melhorar logo para poder jogar boliche. Sorri para ele e perguntei:
- Você já está bem melhor não é meu amor?
- Estou sim mamãe.
- Eu te amo muito Charlie, muito mesmo. Você é o melhor filho do mundo.
- Mamãe, eu também amo muito você, e o papai também.

3 comentários:

  1. Olá !
    Gostei do teu blog. Pode seguir o meu blog ?
    http://xxx-memories-xxx.blogspot.com/
    Ficarei feliz em ver você lá no meu cantinho !

    Obrigada pela atenção, Beijoos ♥

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