12 de janeiro de 2011

Thinking of You. (Parte I)


- Eu amo você Amy – ele disse em meu ouvido.
Eu não queria ouvir aquelas palavras tão cedo, e para falar a verdade, eu preferia que ele nunca as dissesse.
Ele não sabia o quanto me fazia mal saber que ele me amava; não sabia que dentro de mim existiam apenas fragmentos do que um dia foi um coração.
Sentia-me culpada por ter me envolvido com alguém tão bom somente para tentar curar os ferimentos que havia dentro de mim. Sentia-me culpada por ter me entregado á ele com os pensamentos em outro. Sentia-me culpada por ter dado á ele a chance de se aproximar e me amar.
Fui uma completa egoísta pensando que procurar amor em outros braços faria com que o meu eu pudesse ser consertado, sem pensar que fazendo isso estaria despedaçando o coração de alguém.
Estava me sentindo uma tola, então desci as escadas em direção à janela, tudo na sala estava como meu Charlie havia deixado. Aproximei-me mais e pude ver através do vidro as árvores onde costumávamos fazer piquenique nos domingos e, é incrível, percebi que hoje também é domingo.
Os pedaços do meu coração batiam apressadamente, cada um á seu tempo, com cada lembrança de um passado bom.
Fechei meus olhos para reviver mais uma vez aqueles momentos, então uma mão encostou-se em meu ombro enquanto a outra deslizava por minha barriga, assim como Charlie fazia.
- Oh Charlie, meu amor, por que demorou tanto á descer? – perguntei, me virando para olhá-lo.
Não era Charlie e sim Tom. Olhava-me decepcionado, com aqueles olhos azuis que tanto me lembravam meu soldadinho lindo.
Ele ficou quieto apenas me olhando e pude perceber em seu olhar que tudo o que ele queria era saber o que se passava em minha mente. E para confessar, minha mente agora parecia um baú velho cheio de coisas ocupando espaço. Abri a boca, precisava me desculpar, afinal, fui eu quem começou tudo isso, só que as palavras não saíram. Tentei repetidamente dizer algo, mas nada. Eu não poderia estar olhando para seus olhos, então me virei encarando as árvores ao longe e pedi.
- Me desculpe?
- Quem é Charlie Amy, me conte – ele não respondeu, apenas pediu que eu contasse.
Dentro de mim parecia que tudo iria explodir, eu percebi pela sua voz que havia o magoado. Eu não queria fazer mal á ele.
- Charlie é... huum, é... Charlie é meu ex-marido – confessei.
Eu odiava pensar em mim sem Charlie, e pior ainda, odiava lembrar que ele já não era meu marido. Eu podia sentir agora as lágrimas forçando a saírem, mas eu tinha que ser forte, tinha que dominá-las.
- Tem coisas sobre mim que nunca te contei – falei, tentando focalizar a ponte sobre o rio em que brincava com Charlie.
- Então me conte, eu preciso saber, não preciso? – ele me perguntou.
Bom, isso parecia justo, afinal, eu deixei espaço para que ele se aproximasse e me amasse e agora tudo o que pedia era para saber o porquê eu havia feito aquilo.
- Eu confiei em você durante esses meses em que passamos juntos, só estou lhe pedindo que me conte quem é você? – ele pediu mais uma vez. Então falei:
- Tudo bem Tom, eu vou te contar. Essa história toda me faz muito mal, e eu me culpo a todo o momento por ter me aproximado de você e ter lhe feito mal, e por estar despedaçando teu coração agora, como o meu está há muito tempo.
- Você ainda não o despedaçou meu amor e, eu preciso saber para que ele não seja torturado agora.
- Você tem razão. Você tem razão – repeti, pensando em como começar. – Eu falei que Charlie é meu ex-marido, certo? Então, nós não nos divorciamos. Ele partiu... Partiu e meu deixou nesse mundo, com o coração em pedaços e lembranças de uma vida feliz que parece ter sido há milhões de séculos atrás.
- Ele fugiu, foi isso?
- Não Tom, ele não fugiu, foi muito pior que isso. Ele era do exército. E um dia, quando estava combatendo, ele levou um tiro no peito e morreu em trabalho – nessa parte as lágrimas que estavam presas caíam como as gotas da chuva em uma tempestade, e lembrei-me do dia em que recebi a carta do exército dizendo que ele estava morto. Dizendo que ele nunca mais voltaria para meus braços.
Minha cabeça agora estava ocupada com flashbacks do tempo em que eu era completa. Eu corria ao seu encontro no rio e pulava, espalhando água por todos os lugares. Estávamos deitados sobre uma toalha vermelha, dando vida às nuvens. Dançávamos no último baile de primavera, com todas as moças e seus soldadinhos fofos também dançando a nossa volta, felizes. Era tarde já, todos haviam ido embora, pois no dia seguinte os soldados iriam partir novamente, eu não queria deixá-lo ir, sentia que talvez não o visse novamente. Éramos os últimos na pista de dança, eu olhei em seus lindo olhos e disse: “Volte para mim meu amor, estarei te esperando” e ele retribuindo meu olhar disse “Eu te amo” e beijou minha boca, como despedida.

Só então percebi que estava de olhos fechados, sonhando com tudo que foi bom. Tom não me abraçava mais, apenas me olhava esperando respostas. Continuei então contando tudo á ele.
- No dia em que recebi uma carta dizendo que ele estava morto, senti o chão sob meus pés se abrirem e sugarem. Eu não conseguia imaginar mais como seria viver sem ele por perto. Passei semanas e talvez até meses trancada em casa esperando ele voltar, só que isso nunca aconteceu. Então um dia minha irmã, Jane, veio até aqui me visitar e disse que eu precisava sair de casa, respirar novos ares, e talvez até me apaixonar novamente. Mas não adiantava, eu sabia que não poderia amar mais ninguém.
“Depois de vários pedidos, Jane conseguiu me tirar de casa e me levar a um baile. Lembro-me que quando cheguei lá me senti ainda mais triste, pois era época dos soldados voltarem. Fazia seis meses que Charlie havia morrido. Lembrei-me de como dançávamos até todos irem embora, então olhei para o balcão onde vendiam bebidas e vi você.
“À primeira vista imaginei que fosse Charlie, então atravessei o salão e me aproximei de ti. Quando olhei em seus olhos vi que eram os mesmo olhos, mas não com o mesmo olhar. Vi surpresa em seus olhos. Sentei no banco ao seu lado e pedi um suco, me virei e fiquei olhando para ti, até que você me encarou e perguntou com uma voz rouca que de certa forma me lembrava Charlie, mesmo sabendo que na voz dele havia uma suavidade ao falar, se eu queria dançar contigo. Minha resposta foi sim.
“Dançamos a noite toda, bebi bastante, e depois de meses pude dizer que me diverti. Fomos para minha casa, lembra-se? Foi divertida aquela noite, mas ao acordar foi à pior coisa. Eu estava com outro e não com meu Charlie. Pedi que você fosse embora, e aceitando meu pedido, você se foi.
“Passei mais alguns dias sofrendo, chorando e me matando até perceber que eu precisava te ver novamente. Resolvi que iria á cidade e faria de tudo para lhe encontrar, e por sorte, não foi tão difícil assim. Você estava sentado no banco da praça, com jeans desbotados e uma camisa listrada que marcava todos os músculos de seu peito, barriga e braços. Era como Charlie, mas não era ele.
“Hesitei, mas então você veio até mim, pegou minha mão e disse: “Você está bem, querida? Senti sua falta.” Olhei para seus olhos e confesso que também senti falta. Por mais que eu tivesse passado apenas um dia ao seu lado, eu sentia como se tivesse sido séculos juntos. Você era tão incrivelmente parecido com Charlie que cada movimento seu, eu insistia em comparar.
“Sorri e disse: “Será que poderíamos conversar?” Você sorriu também e falou que sim. Foi um dia muito bom, conversamos sobre tudo, e percebi que quando estava ali, com você, eu conseguia esquecer que meu coração não era inteiro.
“Passaram-se dias e semanas, e tudo entre a gente ficava ainda melhor. Você é um cara especial, bom, e muito gentil. Mas conforme o tempo ia passando, a saudade de Charlie aumentava, e eu continuava a comparar vocês dois. E agora estou aqui, louca de vontade de sair correndo desta casa e ir de encontro á ele, no jardim. Mas tem uma parte de mim que diz que ele não vai mais voltar, e que devo ficar aqui, em seus braços.”
Ele colocou as mãos em meu rosto, forçando-me a olhá-lo nos olhos e disse:
- Amy, eu amo você. E se você me der uma chance, eu consertarei seu coração. É só você dizer que quer.
Nada fazia sentido, eu havia dito que não poderia amar mais ninguém e ele me pedia para dar uma chance para que ele consertasse meu coração. Ele me amava. Será que seria certo fazer isso? Eu não queria magoá-lo.
- Tom, eu não sei. Não quero te magoar.
- Você só irá me magoar se disser que prefere morrer aos poucos a ter minha ajuda. Amy, eu farei de tudo para te ajudar. Deixe-me fazer isso. Por favor. Não vou conseguir viver sabendo que a mulher que eu amo está se matando, deixando de viver dessa forma.
Aquelas palavras me fizeram ver que não era somente Charlie o cara capaz de me amar, e se eu não era amada somente por ele, será que eu poderia amar outro?
Algo dentro de mim dizia para aceitar, para me entregar á ele, para viver ao seu lado, e para amá-lo. Eu sabia que não seria fácil, mas já que é algo que ele quer e que meu instinto também quer, deve valer apena não é?
- Se você prometer que isto não irá magoá-lo, tudo bem, eu dou uma chance a você.
- Sabe Amy, não é a mim que você está dando uma chance e sim á você mesma.
- Eu gosto muito de você Tom – contei á ele, e era verdade.
- Eu te amo muito Amy... minha Amy.

Continua...
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A princípio era para ser baseado no clipe e na letra de Thinking of you da Katy Perry, mas quando vi, já tinha fugido um pouco da história. Mas aqui está, mais uma história para vocês apreciarem.

4 comentários:

  1. Apesar de ser um conto grande e cansar alguns leitores, eu o li. E simplesmente achei-o encantador, me fascinou por completo, blogueira. rs
    E lindo o seu layout. ^^

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  2. É realmente grande,mas eu li todo tbm,e achei muito bom,valeu a pena ter lido.
    E seu lay é mt fofo.
    beijos.

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  3. Não vou dizer que é grande, porque não seria tão bom quanto realmente é se fosse menor.
    Adorei o conto, é lindo, meigo, carinhoso...
    Em resumo, o tipo de coisa que gosto de ler.
    Você podia continuar. Eu, pelo menos, leria (:
    Mas sugiro que tome cuidado com a acentuação no "a".
    Bjknhs :*

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