22 de março de 2011

A Promessa

Capítulo Cinco

- Que tipo de pessoa se chama Número 3?
- O tipo de pessoa que você não é – falou Número 3.
- E o que você é? – perguntou Taylor.
- Ora, você ainda não percebeu minha querida? – perguntou, mas sem esperar por respostas. – Sou o que vocês, humanos, chamam de extraterrestre – disse dando ênfase ao pronunciar extraterrestre, como se tal palavra lhe causasse náuseas.
“Oh Deus! Sim, extraterrestre. Como foi que não pensei nisso antes?” pensou Taylor.
- Vocês, humanos, nunca foram capazes de acreditar em nós. Por isto é que são tão... – mais uma vez suas palavras ficaram perdidas. Tinham acabado de chegar à frente da maior casa que havia no vilarejo. Três andares, mas apenas uma pequena janela. Era a primeira vez que Taylor via uma casa como esta.
Pela janela podia-se ver uma luz bruxuleante, que pensou ser produzida por velas. Foi tomada instantaneamente por uma vontade de entrar naquela grande casa, mas limitou-se apenas a olhar para Número 3.
- Só quero lhe avisar algo antes de entrarmos, Taylor – falou, com pequenas rugas de preocupação formando-se em sua testa.
- Pode dizer.
- Você terá que me prometer que não irá comentar nada com ninguém. Você promete?
- Mas por que não poderei falar nada? Vocês me parecem tão incríveis.
- Isso tudo você ficará sabendo em breve minha querida. Mas por ora preciso apenas que me prometa nunca contar a ninguém.
- Sim, eu prometo – jurou Taylor, sem pensar nenhuma vez mais.
Número 3 sorriu, pegou sua mão e levou-a para dentro. Ao passar pela porta, Taylor sentiu como se houvesse ultrapassado as barreiras de um campo eletromagnético, pois teve a sensação de ter seu corpo comprimido. Apertou com força a mão de Número 3, mas assim que a sensação passou, soltou-a.
Ela tinha razão, toda a iluminação daquela casa vinha de velas. Muitas velas por sinal, constatou Taylor. Sentia-se protegida lá dentro, e quente. As velas transmitiam calor também, afinal.
Ficou olhando de um lado para o outro, encantada, até perceber uma terceira pessoa. Era uma garota alta, com cabelos escuros e olhos no mesmo tom. Sua beleza combinava perfeitamente àquela casa. A garota estava sentada numa poltrona a um canto, e sorria.
Levantou-se com um salto gracioso, estendeu sua mão e falou com uma voz doce:
- Bem vinda à Casa Grande, Taylor.

19 de março de 2011

O Número 3

Capítulo Quatro


Na cabeça de Taylor aquela afirmação insistia em repetir-se. “E ele está minha querida.” O que ele queria dizer com: “O tempo está em minas mãos.”? Ninguém é capaz de controlar o tempo.
- É aí que você se engana Taylor – disse o homem, falou logo em seguida. – Vocês, seres humanos, não controlam o tempo, mas...
Ele não completou sua frase, pois acabara de chegar ao vilarejo. Casas pequenas erguiam-se pelos dois lados da estradinha, e ao centro entrava-se uma grande fonte de água. Taylor estava encantada com o que via: homens, mulheres e crianças, casas bonitas e uma fonte encantadora. “Eu nunca vi este lugar antes”, pensou.
- Você é a primeira humana que vem a este vilarejo, minha querida.
Como um sobressalto, Taylor saiu de seu transe. Não havia se acostumado com o fato de estar com alguém capaz de ler mentes.
Conforme iam andando, todas as pessoas paravam o que estavam fazendo e encaram Taylor como se esta lhes oferecesse perigo. Assim que percebeu, Taylor apertou as mãos do homem com mais força. Não sabia o que estava acontecendo. Sentia muito medo.
- Não se preocupe, eles não farão nada enquanto estiver comigo – tranquilizou-a , ainda com a voz calma.
Era incrível como aquele homem podia tranquilizá-la apenas com poucas palavras. O que era este homem que tanto a impressionava? Parecia loucura, mas já que não estava num sonho, tinha a suspeita de que ele era de mundo. “sim, isso é uma loucura”, balançou a cabeça, tentado apagar este pensamento.
- Você é mais esperta do que imaginei – confessou.
- Qual seu nome? – perguntou Taylor.
Esperava alguma resposta vaga, totalmente sem sentido, ou na melhor das hipóteses, resposta alguma. Mas dessa vez foi diferente, houve sim uma resposta.
- Meu nome é Sebastian III, mas pode me chamar de Número 3.


Meus amores, estou bem ocupada ultimamente com trabalhos e uma ou outra prova no colégio, mas prometo que sempre que puder irei continuar escrevendo a história e postando para vocês.
E muito obrigada a todos vocês que leram e que estão acompanhando.

18 de março de 2011

O Senhor do Tempo

Capítulo Três


- Que lugar é esse? – perguntou Taylor, desorientada.
O homem ao seu lado apenas sorriu, esperando pela pergunta certa. Mas na cabeça de Taylor, centenas de perguntas chocavam-se tentando saírem de sua mente e serem transmitidas por seus lábios. Onde estava? Quem era este homem misterioso? O que ele queria? Não importava quantas perguntas fizesse, tinha uma pequena certeza de que não haveria uma resposta.
- Ou pelo menos não uma que lhe esclareça o que realmente quer saber – sugeriu o homem de preto.
- Você... Ãhn, o senhor lê mentes? – perguntou confusa.
- Bom, se você chama ouvir pensamentos de ler mentes, sim, eu leio.
Suas perguntas haviam mudado drasticamente, pois o que queria agora era saber o que era este homem, e não quem era.
- Santo Deus, como você faz pergunta hein? – disse ele, olhando para suas mãos, que continuavam juntas.
Imediatamente Taylor retirou suas mãos das dele, tomou coragem e falou em tom de chantagem:
- Se você não me contar o que estou fazendo aqui, irei embora agora, está entendendo?
- Ok, ok, você venceu – disse e logo em seguida completou, avisando-lhe. – É melhor que mantenha suas mãos junto das minhas para que vejam que não está só. Não me responsabilizarei caso aconteça algo caso pensem que está sozinha.
Por instinto, passou em seguida a olhar de um lado para o outro em busca de alguma coisa que pudesse oferecer perigo, mas tudo o que viu foram as arvores atrás de si, e pequenos pontinhos andantes ao longe, no vilarejo. Por mais que nada aparentasse ser perigoso, sentia que o homem estava falando a verdade, e nada lhe restou fazer a não ser devolver suas mãos onde às dele se encontravam.
Tudo o que tinha a fazer era segui-lo e esperar até a hora em que todas suas dúvidas fossem resolvidas, e sentia que não iria demorar muito para obter algumas respostas para suas perguntas. Os dois, lado a lado, começaram a caminhar pela estradinha rumo às pequenas casas ao longe. Sua vontade era de correr e chegar o mais rápido que pudesse, mas o homem ao seu lado andava calmamente, como se o tempo estivesse em suas mãos.
- E ele está minha querida – o homem afirmou, sorrindo maliciosamente.

17 de março de 2011

Sonho ou realidade?

Capítulo Dois


Taylor já ouvira aquela voz antes, só não se lembrava onde nem quando. Como num filme de terror, sua vida toda passou em sua mente e pela primeira vez, desde que deixou de ser criança, sentiu medo novamente. Ela se fazia a mesma pergunta, sob milhões de formas: O que essa pessoa quer de mim?
Como se houvesse lido seus pensamentos, aquela voz rouca falou, num tom calmo:
- Eu quero te mostrar um lugar especial.
Taylor já havia sido tomada completamente pelo medo que não pôde ao menos perguntar quem era a pessoa, ou para onde queria levá-la. Percebeu que suas pernas e suas mãos tremiam levemente, e tentado esconder este fato da pessoa misteriosa, colocou as mãos nos bolsos de sua blusa.
- Não precisa ter medo de mim, não irei machucá-la – ainda falava de modo calmo, porém, com certa emergência acrescentou. – Taylor, não temos muito tempo, preciso que venha comigo.
Ele esticou sua mão direita, convidando-a a seguir o caminho com ele. Taylor não teve muita certeza sobre o que acabara de acontecer, mas passou a sentir confiança naquele homem alto, que se escondia sob um sobretudo e chapéu pretos. Olhou dentro de seus olhos, buscando uma confirmação daquela súbita confiança, então retirou suas mãos do bolso e entregou-as ao misterioso homem.
Ficou parada alguns segundos esperando que ele começasse a caminhar, mas não sabia que não era essa a intenção dele. Perguntou-se o porquê daquele homem não começar a andar, já que precisava levá-la ao tal lugar especial, então se virando para perguntar, viu em seu rosto um breve sorriso seguido das seguintes palavras:
- Feche seus olhos minha pequena, como num sonho.
Obedecendo a ordem, fechou seus olhos e de imediato sentiu um puxão vindo de dentro de seu umbigo. Lutou para abrir seus olhos e ver o que estava lhe causando todo aquele incomodo, mas de nada adiantou, seu olhos pareciam estar colados. Pensou em gritar, pedir àquele homem que parasse, e nesse mesmo instante foi o que aconteceu. Tudo parou.
- Abra seus olhos, chegamos.
Ao abrir os olhos, esperando estar em qualquer parte do mundo, surpreendeu-se. Estava no mesmo bosque onde há segundos atrás um homem misterioso convenceu-a de alguma forma, a viajar para um certo lugar especial. Balançou a cabeça algumas vezes, achara que estivera em algum sonho maluco. Olhou ao redor, procurando pelo homem e nada havia ali além de arvores e gramas. Em sua cabeça só havia uma afirmação: “Sim, eu devo ter sonhado.”
Colocou suas mãos nos bolsos de sua blusa e seguiu pela trilha, mas quando chegou ao fim percebeu que não estava no lugar certo. Onde deveria haver uma rodovia cheia de carros, tinha uma estradinha de pedra que pelo que podia ver, levava a um pequeno vilarejo. Não fazia idéia de como chegara aquela lugar, nem sequer sabia se o que havia acontecido minutos antes fora verdade. Então confirmando sua suspeita sobre o fato do homem misterioso, este mesmo pegou em sua mão, convidando-a a seguir a estrada para o vilarejo.

16 de março de 2011

Uma surpresa inesperada.

Capítulo Um


Há uma semana de seu aniversário de dezoito anos, Taylor resolveu sair da casa de seus pais devido a uma briga. Era por volta das seis horas da manhã e seus pais ainda dormiam. Com todo cuidado para não fazer barulho, juntou em sua velha mochila roupas e alguns acessórios, tendo em mente um hotel de beira de estrada como hospedagem. Não sabia ao certo quanto tempo levaria até seu destino, e para se prevenir, assaltou a geladeira e o armário de casa: garrafas de suco, algumas frutas leves, pacotes de bolacha e tudo o mais que fosse fácil de carregar.
Antes de sair passou no escritório de seu pai, abriu a gaveta da mesinha e retirou papel e caneta. Então escreveu em letras rabiscadas, por causa de sua pressa:
“Pai, eu sei que vocês só queriam o melhor para mim obrigando-me a fazer faculdade de direito. 
Mas vocês terão que entender que não nasci para seguir regras, eu nasci para criá-las e é
 exatamente isso que irei fazer de agora em diante, criarei minhas próprias regras.
Não se preocupem, estarei bem.
Apesar de tudo que está acontecendo, eu os amo muito.
Tay.”
Ao terminar, deixou o bilhete preso sob o livro favorito de seu pai, O Mundo de Sofia, e ficou examinando a capa por longos segundos, imaginando como ficariam seus pais depois que ela partisse. Então como se fosse um sinal para que não desistisse, o celular vibrou em seu bolso informando que faltavam apenas dez minutos para as sete horas da manhã. Olhou uma ultima vez para o escritório, relembrando às vezes em que conversara sobre o mundo com seu pai e saiu o mais rápido que pôde, antes que alguém resolvesse acordar mais cedo.
Não estava muito disposta a chamar atenção dos vizinhos para o caminho que ela seguiria e decidiu ir pela trilha do bosque que havia no bairro. Enquanto caminhava, olhava para todas aquelas casas ao redor da sua, memorizando tudo para que nunca se esquecesse de onde saíra. Antes de adentrar no grande bosque virou-se e permitiu que uma pequena lágrima de saudade escorresse por sua face. Baixou a cabeça decidida, e continuou sua jornada.
Seus passos eram longos e rápidos, como na fuga de uma prisão. Ela forçava a si mesma a andar mais rápido, só para não correr o risco de ser fraca e abandonar seus planos. O tempo passava, cinco minutos para ser exata, e nada a sua volta mudava. Arvores, grama e mais arvores. Sabia que demoraria mais algum tempo até chegar à rodovia, então não tinha com o que se desesperar. O bosque geralmente era deserto, sem pessoas e sem animais, apenas as centenas de arvores que agora a rodeava.
Como num passe de mágica os pêlos de seus braços de arrepiaram, e sentiu o medo entrar por suas células e invadirem seu corpo e sua mente. Passou rapidamente a observar o lugar a sua volta a procura de alguém, mas não fora capaz de ver nada além do verde das arvores.
- Olá Taylor, como vai? – perguntou uma voz rouca vinda de trás de uma arvore ao seu lado.

7 de março de 2011

(in)diferente


- Que culpa eu tenho se durante todo esse tempo você preferiu fingir ser cega? – perguntei a ela, com raiva. – Faz mais de um ano que eu estou com a Bruna!
- Você estava com essa garota – disse ela, dando ênfase ao pronunciar a palavra estava.
- É tão difícil entender que é com ela que eu vou ficar não importa o que você pense ou diga?
- Vocês só irão ficar juntas quando eu morrer! – ela gritava. – Você é minha filha e não vou admitir que estrague sua vida assim.
- Mãe, eu já tenho dezoito anos e acho que posso muito bem saber o que é melhor para mim, não acha?
- Não enquanto estiver morando em minha casa – falou com um ar que quem acaba de ganhar um jogo.
- Eu desisto de tentar resolver isso tranquilamente – disse eu. – Se a condição para seguir meu próprio caminho é ficar fora da sua casa, então tudo bem mãe, você venceu.
- Eu sabia que você iria perceber que estava errada minha filha.