20 de abril de 2011

(i)mortalidade pt.1

Beleza era tudo o que eu pedia há algum tempo atrás, mas agora que a tenho, voltaria no tempo e mudaria isto se possível. Não é que eu ache problema em ser a garota mais linda do Great Lakes College de Toronto, mas às vezes ser uma morta-viva te traz mais problemas do que ser uma mera mortal.
Tenho dezenove anos há quase quinze meses, e continuo no mesmo curso de moda - bem que eu queria desistir dele, mas minha mãe disse que não é sempre que uma filha dela se forma. E por falar em formatura, a minha é em uma semana.
Há um ano e meio eu estaria correndo de um lado ao outro de Toronto numa missão em busca de acompanhante, mas de frente para o espelho, meus longos cachos loiros em contraste com minha pele branca me dizem que sou irresistível. Meus olhos cor de topázio estão em tom carmim há cerca de dois dias, o que indica que preciso comer – melhor dizendo, preciso beber.
Tenho me sentido mais fraca desde que comecei minha dieta de coelhos e guaxinins, mas enquanto eu não puder viajar para algum lugar distante, tenho que continuar tomando isso. Bem, na verdade não é somente isso, porque de vez em quando “pego emprestado” um pouco de alimento no banco de sangue do hospital, mas isso é só de vez em quando.
Arrumando-me para mais uma aula na faculdade, coloquei Tik Tok da Kesha para tocar na playlist do meu iPod. Dando uns toques finais em meus cabelos e dançando, percebi sobre minha penteadeira um pedaço de papel que saía de dentro da minha agenda. Curiosa, o peguei e li.
May, quer ir ao baile de formatura comigo?
P.S.: Gustavo.
E quase que totalmente espontâneo, um sorriso malicioso apareceu em meus lábios ao mesmo tempo em que pensava – Oba! Terei um lanchinho delicioso! Nada de coelho.



Projeto Créativité - 17ª Edição C&F
1º lugar - 9,9
continua...

14 de abril de 2011

Vestindo Lembranças

Capítulo Oito

Sentada na cama, abraçando as pernas com toda a força, Taylor repetia sem parar:
- É a invasão.
- É a invasão.
- É a invasão.
- Não é a invasão – a voz doce de Emilly espalhou-se pelo quarto, assustando, mas ao mesmo tempo tranqüilizando Taylor.
- Eles vão invadir Marte! – exclamou ainda assustada com o sonho.
- Não Taylor, foi apenas um sonho – e saindo do quarto disse: - Lave o rosto e desça para tomar café.
Assim que Emilly saiu, a porta fechou-se lentamente com ruídos irritantes. Levou um pouco mais de um minuto para que Taylor despertasse completamente. Olhando de um lado ao outro do quarto, observando cada pequeno detalhe, seu olhar se deteve numa prateleira de bonecas, na parede ao lado da porta.
Curiosa, Taylor levantou da cama e caminhou até a prateleira, retirando de lá uma pequena boneca de pano. Usava um vestido de renda vermelho e meias coloridas, e seus olhos azuis plastificados lembravam-na de sua infância. Quando pequena Taylor ganhara Alex de presente, uma bonequinha de pano tão linda quanto a que estava em sua mão.
Agora próxima dos dezoito anos, pensava Taylor, via o quanto era feliz quando suas responsabilidades eram apenas cuidar de suas bonecas e não perder o horário do seu desenho favorito, Três Espiãs Demais. Hoje, com toda a responsabilidade pesando sobre suas costas, percebia o quanto sentia falta da infância.
- Se essa boneca lhe deixa mais feliz, ela é toda sua – Número 3 estava parado ao lado da porta, olhando Taylor como se esta fosse uma pequena criança.
- Ãhn, obrigada – agradeceu um pouco desconcertada
- Olhar você assim, lembra-me muito minha filha – seu olhar de repente ficou triste e um pouco nostálgico.
- Onde ela está? – perguntou Taylor, tentando não parecer muito curiosa.
- Ela se foi – disse, encarando a boneca que ainda estava nas mãos de Taylor, e ainda mergulhado no passado, falou: – Ela morreu quando tinha dez anos.
- Oh! Meus pêsames.
- Obrigado – Número 3 agradeceu pela compaixão de Taylor, secando com a ponta dos dedos uma lágrima.
- Vamos querida, é hora do café – convidou-a, depois de alguns segundos.

7 de abril de 2011

A Invasão.

Capítulo Sete

- Você nos ajuda, Taylor? – perguntou Emilly, com sua voz doce e calma.
- Mas... eu não entendo... no que eu vou poder ajudar? – Taylor estava confusa com tudo o que lhe foi dito, era informação demais.
- Eu sei que é informação demais Taylor, mas nós precisamos da sua ajuda. – disse Emilly, respondendo ao pensamento de Taylor assim como Número 3 também fazia.
- Eu... eu estou cansada – suspirou, lembrando-se do dia estranho e perturbador que havia tido. Chegou à conclusão de que precisava de uma cama.
- Número 3, providencie uma cama para nossa hóspede – ordenou Emilly, e dirigindo-se para Taylor continuou. – Você está muito cansada minha querida, Número 3 irá levá-la ao seu quarto. Sinta-se em casa – despediu-se sorrindo.
Levantou-se de sua poltrona e foi em direção a porta ao lado da lareira. Número 3 olhou para Taylor e pediu que o seguisse. Entraram pela mesma porta em que Emilly e depararam-se com um corredor longo e quase todo escuro, se não fosse pela luz que saia pela fresta de uma porta. Número 3, que estava à frente, parou diante de uma cômoda ao lado esquerdo do corredor, abriu uma das portas e retirou um candelabro que à luz do quarto, parecia ser feito de ouro. Sem que Taylor nem mesmo percebesse, enfiou a mão no bolso do sobretudo e tirou uma caixinha de fósforo, com a qual acendeu as velas.
De imediato todo o corredor foi tomado pela luz transmitida pelas velas do candelabro. Taylor pôde perceber que as paredes eram de um tom entre o azul claro e o azul céu, com quadros dos dois lados que não prestou muita atenção devido ao cansaço. Depois de três quartos dispostos aleatoriamente pelo corredor, chegaram ao que seria ocupado por Taylor. A porta era baixa, o que a obrigou a abaixar-se.
Número 3 deixou o candelabro sobre a mesa de cabeceira e se retirou. Devido ao cansaço, tudo o que Taylor constatou foi que o quarto era grande, e o mesmo se aplicava a cama. Sentando-se na cama percebeu que a mochila ainda estava nas costas, tirou e colocou-a ao lado da cama. Deitou, olhando para o teto, e desmaiou.

***

- Acorde meu bem, já é tarde – falou mamãe, despertando-me de um sonho estranho.
Alienígenas, dois mundos, invasão, ajuda. Casa Grande, homem misterioso, leitor de mente, Emilly. Sim, foi tudo um sonho.
Abri os olhos e tornei a fechá-los. Mamãe já havia aberto as cortinas como sempre fazia pela manhã, dizia que ajudava a dar vida ao ambiente. Ah, e pelo fato de ainda chamá-la de mamãe, bom, é por puro costume mesmo.
- Tem como fecha as cortinas mamãe? Isso me deixa cega! – exclamei, esfregando os olhos para que se acostumassem com a luz.
- Não seja exagerada Tay – ela disse, beijando minha testa.
- Não estou exagerando – falei num tom irritado, e imediatamente ela foi em direção a janela.
- Meu Santo Deus, o que é aquilo? – perguntou surpresa e assustada ao mesmo tempo.
Saltei da cama e corri à janela, olhando por trás de minha mãe. Mesmo estando ao longe, dava para ver que centenas de pessoas com uniformes de astronauta se aproximavam, onde era o jardim de casa agora haviam aparelhos como os de filmes de cientistas, e estacionado na rua, estava uma grande espaçonave com um emblema da N.A.S.A.

***

- É a invasão! – gritou Taylor, acordando num pulo.

3 de abril de 2011

(Pré)Descoberta

Capítulo Seis

- Meu nome é Emilly – disse a garota, que ainda sustentava sua mão no ar.
- Prazer em conhecê-la – disse Taylor, estendendo sua mão.
Emilly desvencilhou-se da mão de Taylor naturalmente e voltou a sentar-se na poltrona ao canto da aparente sala. Era estranho dizer o que de fato era aquele cômodo, pois tudo o que havia era uma lareira que aparentava não ser usada há séculos, muitas velas sobre uma mesa de centro e no canto oposto à janela, uma poltrona antiga.
- Número 3, busque uma almofada para nossa hóspede – ordenou Emilly com um tom de autoritarismo na voz, porém, ainda doce.
- Sim senhora... senhorita – falou Número 3, indo em direção à uma porta que até então Taylor não percebera.
Enquanto o suposto criado não voltava, supunha Taylor, as duas garotas permaneceram caladas. De um lado da sala estava Emilly, sentada tranquilamente. Do outro lado Taylor, em pé, com os dedos de suas mãos entrelaçados.
Um minuto depois Número 3 entrou na sala com os braços estendidos e sobre eles duas almofadas, uma totalmente branca e a outra num tom de rosa claro. Parou diante e Taylor, abaixou-se e deixou com que as almofadas caíssem delicadamente sobre o chão poeirento. Taylor percebeu que uma pequena faixa de luz que vinha da janela, fazia com que as pequenas partículas de poeira que agora flutuavam pelo cômodo vazio, ficassem visíveis.
Mesmo com a volta de Número 3 o silêncio ainda continuava cada vez mais angustiante, até que Emilly resolveu quebrá-lo:
- Você deve estar querendo saber por que mandei Número 3 trazê-la até mim, não é Taylor? - perguntou.
- Sim - respondeu Taylor, assentindo com a cabeça ao mesmo tempo que falava.
- Ele com certeza deve ter lhe dito que você foi a garota escolhida, não é?
- Foi algo assim. – disse Taylor, recordando as palavras de Número 3.
- Eu a escolhi para algo muito importante, e conto com a sua ajuda, já que é a única capaz.
- Importante para que? – perguntou Taylor, confusa.
- Nós, pessoas de Marte, estamos sendo “ameaçados” e você é a única pessoa do seu planeta capaz de nos ajudar.
- Ameaçados? Como assim?
- Ameaçados por seus “irmãos” de planeta Taylor. Eles estão cada vez mais próximos de nos descobrir. Você não sabe o quanto é ruim não saber quando eles estarão chegando para que nós possamos “esconder-nos” – desabafou Emilly.
- Oh – foi tudo o que Taylor pode pronunciar, atônita.