10 de maio de 2011

Poliglotas

Capítulo Nove

Número 3 abriu a porta do quarto e esperou, dando passagem à Taylor. Seguiram em silêncio pelo corredor até a cozinha, que ficava a duas portas de distância do quarto onde Taylor se hospedara. Era um cômodo pequeno, com uma mesa e quatro cadeiras postadas ao centro, ocupando quase todo o espaço. As paredes eram revestidas por azulejos brancos com decorações em azul, e uma grande janela coberta por uma cortina nos mesmos tons de branco e azul das paredes.
Sobre a mesa havia uma cesta de palha com frutas, bolo de chocolate, pão fatiado, potes de geléia, uma jarra de suco e um bule com a palavra Tee escrita. Sem entender o significado, Taylor perguntou à Emilly, que ocupava uma das cadeiras à volta da mesa.
- É chá, só que em alemão – respondeu.
- Vocês de Marte falam alemão?
- Sim, por preferência. Mas também sabemos falar inglês, português, italiano, francês, espanhol, chinês e grego – respondeu.
- Oh! – exclamou Taylor, um pouco surpresa por saber que os alienígenas sabiam muito mais que o português e o inglês.
- Hey, esqueceu que posso ouvir o que está pensando? – perguntou Emilly, com um leve tom de irritação na voz.
- Desculpe-me – pediu Taylor.
- Tudo bem. Agora se sente e tome seu café.
Obedecendo à ordem oculta de Emilly, Taylou sentou-se de frente para Número 3, que já havia sentado, e começou a comer. Durante todo o café da manhã nem mesmo uma palavra fora dita, o que deixava no ar um clima estranho.
O silêncio atordoante foi quebrado por Número 3 vinte minutos depois:
- Qual é o próximo passo, Srta Emilly?
- Vamos ver... – começou, hesitando alguns segundos enquanto terminava seu suco. – Mostre a ela a vila.
- Sim, senhorita Emilly.

3 de maio de 2011

(i)mortalidade pt.2

pt. 1  -  pt. 2

Apanhei minha bolsa sobre a cama depois de passar os últimos vinte minutos me arrumando para meu admirável Gustavo. Saí pela porta da frente, dizendo um breve até logo à minha mãe, que se encontrava na cozinha preparando café da manhã. Peguei as chaves do meu Tesla Roadster prata que estava em minha bolsa e desativei o alarme, entrando logo em seguida no carro. Ao som de E.T – Katy Perry, fui para a faculdade.
“I'm a legend, I'm reverend, I be reverend”
Adorava essa frase da música, sentia que ela fora feita para mim, só que foi trocada apenas a espécie de ser na música. Não sou uma extraterrestre, sou apenas imortal, e bela.
Estacionei meu carro na mesma vaga de sempre, e caminhando como uma diva fui para a sala de aula. Sou uma das 22 garotas que freqüentam as aulas de moda. No total são 25 alunos, contando mais 3 garotos, que entre eles um é o Gustavo.
O Gustavo é o típico garoto que qualquer menina se apaixonaria. Alto, cabelos escuros, olhos azuis da cor do céu e um corpo cheio de músculos. A única coisa que não fazia sentido era o interesse por moda, que para muitos garotos como ele era coisa para gays. Mas para as garotas esse era o ponto fofo nele, pois poderiam conversar sobre moda sem se sentirem culpadas por chateá-lo.
Sou uma das garotas do fundo da sala e o Gustavo, junto com os outros garotos, senta no meio. Quando me sentei, percebi que havia um bilhete escrito com a mesma letra do anterior. Peguei-o entre os dedos e li:
“Estou aguardando sua resposta, minha doce May.”
Meu coração teria derretido caso eu tivesse um, mas mesmo não tendo senti certa atração por ele. Por um segundo até repensei a ideia de jantá-lo após o baile, mas então dispensei os novos pensamentos quando o professor entrou na sala, e caminhei até o lugar vazio ao lado do Gustavo.
- Olá Guto. Posso te chamar assim né?
- Claro May. Pode me chamar do jeito que você quiser.
Dei um beijo em seu rosto e me sentei. Percebi um leve tom vermelho tomar conta de suas bochechas. Awn, ele é tão fofo! Mas enfim, na mesma hora o professor começou a falar sobre o ultimo evento de moda que teve e destacando os certos e errados, enquanto eu, sentada ao lado do Guto, sentindo seu perfume sob a pele, e suas veias pulsando a cada batida do coração.