23 de janeiro de 2017

Silence

Estou sentada no canto do quarto, encolhida e com a cabeça apoiada em meus joelhos. Minha coluna começa a reclamar. O silencio no ambiente é absoluto e perturbador. Se me perguntassem há quanto tempo estou presa nessa quietude, não saberei dizer. Pode ser minutos ou talvez dias. Minha cabeça lateja com todas as pancadas dos pensamentos soltos dentro. O quarto é silencioso, mas a mente é barulhenta demais. Tento, em vão, não pensar em nada, mas quanto mais tento mais os pensamentos me invadem, me batem, me expulsam. Não pertenço mais a mim mesma. Abriram a porta e me chutaram para fora, e agora tudo que posso fazer é espiar pela janela. A briga ali é enorme. A razão presa nos braços do sentimento, com os olhos roxos e braços arranhados. É sufocante observar a cena. Sempre odiei brigas e nesse momento tudo que faço é olhar atentamente àquela luta, paralisada demais para poder fazer qualquer outra coisa. O nó na garganta é gigantesco e meu corpo parece pregado ao chão. Lágrimas escorrem por meu rosto, fazendo uma trilha morna em minha pele fria. Fecho os olhos e tento me concentrar nas batidas do coração, tentando, quem sabe, retomar o controle de minha mente. Falho uma dezena de vezes. A dor toma conta de todo meu corpo e sinto o desespero brotar sob minha pele. A angústia é gigantesca. Sinto que ficarei presa eternamente em meio ao caos que é essa cena. Quando finalmente desisto de tentar lutar contra essa mistura esgotante de sentimentos e sensações, sou tirada do transe pela batida na porta. Desperto, com a cabeça mais pesada que o mundo, e volto à realidade. 

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