8 de março de 2017

Último trago, ou apenas um trago a mais.

Isabela tem essa mania de perder-se em si. Acende o cigarro e foge para dentro da própria mente. Quem está de fora enxerga apenas uma garota com seus 1,55m de altura, cabelos escuros e escorridos batendo no ombro e o batom vermelho marcando os lábios carnudos. Quem está de fora nem imagina que dentro daquele corpo de baixa estatura há um furacão de sentimentos.  
Seu olhar fixo no outdoor do outro lado da rua engana muita gente. Se você a visse, também se enganaria. Ela aparenta estudar cada linha contida no anúncio, mas mal sabes tu que ela se perdeu antes da terceira letra.  
Com o botão do automático ligado, leva o cigarro à boca e traga. A fumaça preenche seu pulmão. No fundo da língua, próximo à garganta, sente o frescor do cigarro mentolado 
Isabela não está presente. Foi à Saturno e voltou. Foi à Marte e ficou. 
Encontrou Pedro lá. É "p" a terceira letra. É P quem faz Isabela fugir e se perder.  
P discute com ela. Algo sobre não riscar seu CD favorito.  
A mão esquerda cerrada. Os olhos inundados. O indicador e o médio queimando. 
Isabela sai do transe, limpa os olhos na manga da jaqueta e joga a bituca na lixeira.  

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